Bragança Paulista sedia o primeiro Healthy Week

•Agosto 12, 2017 • Deixe um Comentário

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A estância climática doInterior de São Paulo é perfeita para quem deseja fugir da agitação das metrópoles. Com hotéis, bares e restaurantes, oferece imperdíveis passeios pela natureza, além de ser famosa por suas linguiças artesanais. No início de agosto também foi sede de um evento embrionário focado no bem-estar e na sustentabilidade.

Por Fabíola Musarra

Localizada a cerca de 90 km da capital paulista, na região Sudeste do Estado de São Paulo, Bragança Paulista é uma cidade perfeita para quem deseja fugir da correria do dia a dia. Afinal, nada melhor do que relaxar em um lugar esculpido pela natureza enquanto saboreia as linguiças artesanais ali produzidas. Se gostou da ideia, a Fazenda Coronel Jacinto é um endereço que merece a sua atenção.

Abraçada por paisagens tingidas pela vegetação de incontáveis tons de verde, colinas, montanhas e lagos, abriga graciosos chalés. Tem como proposta básica conduzir o hóspede a conviver com a natureza, vivenciando o modo de vida simples em uma fazenda. Exatamente por ter essa filosofia é que a fazenda sediou o Healthy Week (WH), a primeira edição de um evento que pretende se repetir todos os anos.

Realizada nos dias 5 e 6 de agosto, a iniciativa contou com a participação do Unique Garden Hotel & SPA e apoio do Toriba. Empresários e especialistas das áreas de bem-estar do corpo e da mente e da gastronomia também se uniram ao projeto, oferecendo aos participantes uma programação focada na alimentação saudável e na sustentabilidade. Todas as atividades foram abertas ao público e gratuitas.

Feirinha do Healthy Week em Bragança Paulista – São Paulo – Foto: Fabio Varella

Logo ao entrar na área destinada ao WH, os visitantes puderam conhecer o trabalho de produtores rurais e artesãos locais, que expuseram em uma pequena feira morangos orgânicos, diferentes tipos de cogumelos, queijos de cabra e o artesanato sustentável. Os produtos foram vendidos em “barraquinhas” montadas em forma de estações e construídas de acordo com os preceitos da bioarquitetura.

Depois foi a vez de Cecília Faipo ensinar os presentes como poderiam aquecer o corpo e a mente em contato com a natureza, com gestos simples, educativos e divertidos. Também sessões de fitness foram realizadas de 15 em 15 minutos até o final do dia. O Paiol do Seu Maneco, um simpático espaço perto da feirinha, foi palco de interessantes oficinas.

Com temas relacionados à culinária saudável e ao bem-estar, as aulas com direito à degustação ou à prática de exercícios foram comandadas por chefes de cozinha, biólogos, agrônomos e especialistas. O subchefe Gilmar Alves, do Unique Garden Hotel & SPA, por exemplo, ensinou os participantes a preparar um delicioso molho de ervas para temperar saladas.

Já a palestra com Carlos Alberto, da Padaria Santo Forno, mostrou um método para fazer a fermentação natural de pães, enquanto a oficina com o chefe Lino, do Restaurante Bella Itália e Sabores de Bragança, ensinou os benefícios proporcionados pela cozinha mediterrânea.

Chefe Jerson Yokota, do Restaurante Haw-Lai, na oficina sobre culinária chinesa. Ao lado, o chefe Lino, do Bella Itália e Sabores de Bragança – Foto: Fabio Varella

No workshop de culinária chinesa, os ouvintes aprenderam como restaurar o corpo e a mente com pratos equilibrados e saudáveis, recebendo dicas sobre a seleção, o preparo e a apresentação dos alimentos. A oficina foi comandada pelo chefe Jerson Yokota, do Restaurante Haw-Lai (em chinês, significa seja bem-vindo).

Depois do almoço, a palestra de Patrícia Sampaio discorreu sobre a alimentação detox curativa, com o aprendizado e a degustação de receitas, como o suco verde com leite vegetal, o pudim de chia e o rol de couve-flor. O primeiro dia do evento terminou com aula de BoSSamba e uma apresentação de um grupo xamânico. As canções e mantras aconteceram ao redor de uma fogueira, tendo o céu estrelado como testemunha.

O embrionário Healthy Week de Bragança Paulista (SP) aconteceu no primeiro final de semana de agosto – Foto: Fabio Varella

A manhã seguinte foi preenchida por uma oficina ministrada por Jimmy Junoy. Na aula direcionada à mente e à psique, os participantes aprenderam como desenvolver o lado direito do cérebro, por meio da prática de meditação, executando ainda exercícios de respiração e relaxamento.

Embora o Healthy Week tenha chegado ao fim, seus organizadores prometem repetir a dose anualmente, revezando os locais de sua realização e de hospedagem. “A ideia é fazer o evento em um local onde as pessoas fiquem desconectadas da agitação e tenham contato com a natureza, mantendo-se distantes da rotina de um hotel tradicional”, diz Enry Saint Falbo, um dos idealizadores do projeto.

“O conceito fundamental do HW é valorizar o bem-estar e a responsabilidade socioambiental, divulgando trabalhos sustentáveis de produtores locais, com a renda revertida às comunidades carentes”, completa Falbo, que também é um dos proprietários da Fazenda Coronel Jancinto. “Mais do que tudo, queremos despertar e incentivar as pessoas a adotar esse novo estilo de vida”, finaliza.

A Fazenda Coronel Jacinto, propriedade que sediou o Healthy Week em Bragança Paulista, interior de São Paulo – Foto: Divulgação

A fazenda  Situada a 15 km do centro urbano de Bragança Paulista, a Coronel Jacinto está inserida em uma bucólica paisagem rural, num espaço onde antigamente funcionava uma imensa propriedade de café. Com ar puro, seus chalés têm varandas, alguns com vista para a piscina ao ar livre ou para uns dos sete lagos para a pescaria que banham a propriedade.

Equipados com televisão e frigobar, os chalés têm decoração rústica e banheiro individual. Na área de entretenimento, o empreendimento conta com pistas off-road, onde você, se quiser, pode acelerar e curtir muita adrenalina em um circuito marcado por curvas rápidas e lentas, onde subidas e descidas se revezam.

Se você é mais zen e prefere emoções menos radicais, as opções são as caminhadas e os passeios de bike e de cavalo, além das massagens do SPA. A sala de jogos é um bom lugar para aperfeiçoar o seu bilhar. E, no bar-restaurante, você pode provar a cachaça da região (a Busca Vida) e saborear refeições caseiras, como o ragu preparado com a linguiça bragantina.

A Coronel Jacinto oferece estacionamento gratuito, internet nas áreas comuns e business center. Aceita animais de estimação, caso solicitado com antecedência. Esse serviço pode ou não ter custo adicional, assim como o traslado do aeroporto ou para a cidade.

Embora a distância seja pequena, a estrada que conduz à fazenda não é asfaltada nem sinalizada. Por isso, é recomendável que, antes de ir, você se informe com os proprietários sobre como chegar lá, obtendo pontos de referência. Conforme o combinado na reserva, eles podem marcar um lugar para te buscar, evitando que se perca no caminho.

Gostou da sugestão? Então anote: a Fazenda Coronel Jacinto fica no quilômetro 15 da Estrada Fernando Frias Fernandes, Estiva do Agudo, Agudo, tel. (11) 97146-4500,www.fazendacoroneljacinto.com.br. Boa estadia!

O QUE FAZER

NA CIDADE:

Lago do Taboão – Point ideal para caminhadas e corridas, é o postal da cidade. Além de um lindo lago, conta com pista de cooper, quadras esportivas e playground. É cercado por bares, cervejarias e restaurantes. Avenida Alpheu Grimello s/nº.

Museu Municipal Oswaldo Russomano – Suas mais de três mil peças, entre louças, obras de arte sacra, instrumentos musicais e objetos pertencentes à antiga estrada de ferro, revelam um pouco do passado da cidade. Rua Coronel João Leme, 520, centro, tel. (11) 4033-7566.

Museu do Telefone – O acervo de 60 peças mostra a contribuição da estância climática paulista para o desenvolvimento da telefonia nacional – foi a terceira cidade brasileira a ter telefone, depois do Rio de Janeiro, à época a capital federativa do País, e de São Paulo. O prédio é patrimônio cultural construído em 1907. Praça José Bonifácio 126, centro, tel. (11) 4033-1937.

Mercado Municipal Waldemar de Toledo Funk – Endereço certo para quem quer comprar os alimentos da região e, sobretudo, as linguiças artesanais bragantinas, feitas com variados recheios, desde os com provolone, rúcula e tomate seco até os com vinho e com ervas finas. Também vende versões feitas com frango, que podem incluir ou não bacon em seu preparo. Rua Coronel Teófilo Leme, 1.240, centro.

NOS ARREDORES:

Represa Jaguari – Jacareí – Formada pelos rios Jaguari e Jacareí e a uma altitude de 844 m acima do nível do mar (é a mais alta do Sistema Cantareira), a represa fica a poucos quilômetros do centro de Bragança Paulista. Não possui infraestrutura turística, mas seus mirantes naturais oferecem visuais deslumbrantes. É perfeita também para a prática de esportes náuticos, pesca e natação. Estrada de Piracaia, saída pela Rodovia Fernão Dias. 

Marina Estância Confiança – Para quem gosta de esportes náuticos, pesca e natação, a marina disponibiliza vários deles. Seu pacote para o fim de semana inclui café da manhã. O check in pode ser feito a partir das 18 horas da sexta-feira (cortesia da marina), com check out às 18 horas de domingo. Crianças de até cinco anos têm cortesia. Já o day use é das 8 às 18 horas. Estrada Municipal José Vaccari, s/nº, bairro da Serrinha, Bragança Paulista, na Represa do Jaguari – Jacareí. Tels. (11) 4217-1684, (11) 99953-1684 (Vivo e WhatsApp) e (11) 96589-6204 (Claro), www.marinaconfianca.com.br

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Além de dispor de chalés para hóspedes, a marina (entenda-se um grande condomínio fechado) oferece day-use e passeios náuticos, incluindo piqueniques e comemorações em seus barcos – Foto:  Sidney Trindade

 

 

Em agosto, Cachoeira é palco da Festa de Nossa Senhora Boa Morte, um ritual de fé, história e tradições seculares

•Agosto 1, 2017 • Deixe um Comentário

Mulheres negras da Irmandade da Boa Morte fundaram o  primeiro movimento feminista no Brasil. São elas até hoje que, todos os anos na segunda quinzena de agosto, promovem uma das manifestações culturais mais ricas do País.

Entrada da cidade de Cachoeira (Bahia) - Foto - Rita Barreto - Bahiatursa.jpg

De todos os tesouros que preserva espalhados em suas ruas, a pequena cidade baiana de Cachoeira é detentora de uma das manifestações culturais mais ricas do País: a festa de Nossa Senhora da Boa Morte. Realizada no fim de semana mais próximo a 15 de agosto, a iniciativa – mais do que uma simples comemoração – é um convite para ingressar num mundo onde cultura, tradição, história e magia convivem e se confundem.

Cachoeira - Construções reformadas valorizam a história no Recôncavo - Foto Rita Barreto - Bahiatursa

Situada na região do Recôncavo Baiano, a 119 quilômetros de Salvador, a cidade “nasceu” de um engenho de açúcar, no século 16. Devido à fertilidade de seu solo e ao intenso comércio, foi um dos principais polos econômicos da Bahia até o século 19. De seu apogeu, Cachoeira ainda conserva algumas tradições. A festa de Nossa Senhora da Boa Morte é uma delas.

Participar dessa cerimônia é mergulhar no passado e reviver os tempos do Brasil colonial, do Império e do País independente mas ainda escravocrata. É percorrer uma paisagem onde a energia de escravos mortos ou torturados ainda ecoam. É desvendar aquele que talvez seja o primeiro movimento feminista negro do País: a Irmandade da Boa Morte.

Sede da Irmandade da Boa Morte em Cachoeira - Foto - site upb.org.br

A irmandade é uma organização de mulheres negras que à sua moda resistiu e se rebelou contra os sofrimentos impostos pelo regime escravagista, desde a jornada diária de trabalho de 18 horas nas lavouras aos castigos e mutilações, como o corte dos tendões das fujonas, os açoites em público, os grilhões e brasas em seus rostos, a extração e quebra de dentes a frio e o corte de orelhas e da língua daquelas consideradas mais afoitas. Sem falar dos abusos sexuais.

Boa Morte - Foto Site Trip Down Lane

Não é à toa que esse período de mais de 350 anos é um dos capítulos mais sombrios da história das Américas. Mas foi nesse cenário que surgiu a Irmandade da Boa Morte, que é quem até hoje organiza a festa em Cachoeira. Fundada em 1820, essa sociedade de mulheres negras e mestiças, escravas e libertas, tinha duas metas principais.

A primeira: comprar a carta de alforria para a libertação de maridos, filhos e outros escravos. A segunda: preservar os rituais das religiões africanas até então terminantemente proibidos, como o culto dos orixás. Posteriormente, foi essa organização que fundou a primeira casa de candomblé keto no Brasil.

Mulheres da Irmandade - Foto  - Facebook da Irmandade da Boa Morte.jpg

Passados quase dois séculos de sua criação, a Irmandade da Boa Morte ainda é uma confraria católica de mulheres negras e mestiças que representam a ancestralidade dos povos africanos escravizados e libertos no Recôncavo Baiano. A sociedade ainda se mantém ativa e é fechada – somente podem ingressar nela as descendentes de escravas com mais de 40 anos.

Atualmente, a Irmandade é integrada por cerca de 30 senhoras – houve um tempo em que esse número chegou a 200. Embora neguem, são elas que continuam realizando secretamente os mesmos rituais aos deuses africanos dos tempos da escravidão, incluindo aqueles feitos durante a festa da Nossa Senhora da Boa Morte.

Emoção - Foto Jomar Lima.jpg

Quitutes nas ruas em troca da liberdade
Como outras devoções marianas, o culto a Nossa Senhora da Boa Morte é um exemplo da inestimável herança deixada por índios, portugueses e negros. Ele foi trazido para o Brasil pelos jesuítas portugueses. Chegou primeiro em igrejas e conventos de Salvador, que realizavam a procissão do enterro de Maria ou procissão de Nossa Senhora de Boa Morte.

Mais tarde, essa devoção foi levada para Cachoeira, onde a festa é atualmente uma das mais famosas do País, ganhando inclusive daquelas organizadas na capital baiana e no Rio de Janeiro em honra a essa mesma santa. Para preservar sua identidade cultural e fugir das terríveis punições impostas pela Igreja católica da época, as primeiras irmãs – as mães, mulheres e irmãs de escravos fugidos – começaram as cerimônias e rituais pedindo a intercessão de Nossa Senhora da Boa Morte.

“Essas mulheres vendiam quitutes nas ruas para comprar a carta de alforria de outros escravos. Pediam, então, a ajuda de Nossa Senhora para libertar os escravos e conseguir voltar à África depois da morte”, conta uma das senhoras da Irmandade. “E nós continuamos a cumprir a promessa feita pelas nossas ancestrais, de sempre agradecer a Nossa Senhora pela ajuda obtida.”

Integrante da Boa Morte - Foto Jomar Lima

Em Cachoeira, a festa de Nossa Senhora é realizada desde o início do movimento abolicionista. Durante 68 anos, entre a organização da Irmandade (1820) até a decretação da Lei Áurea (1888), as irmãs faziam um ritual secreto e sem as cerimônias católicas. Apenas rezavam suas novenas e faziam o samba-de-roda (uma dança em que os participantes fazem uma roda e batem palmas). Depois disso, é que se celebrava a missa católica.

Senhoras da Boa Morte - Foto Jomar Lima.jpg

Ainda hoje a cerimônia preserva seus traços característicos, marcados pela memória do sofrimento dos escravos para alcançar a liberdade. Segundo pesquisadores, é exatamente este o significado da celebração: o agradecimento a Nossa Senhora pela liberdade conseguida com muito sacrifício, com a realização de várias cerimônias, culminando com a assunção da mãe de Jesus.

Em linhas gerais, a programação da festa de Nossa Senhora de Boa Morte inclui a confissão na Igreja Matriz, um cortejo representando a morte de Nossa Senhora, uma vigília, ceia e uma procissão do enterro da santa. Depois, é celebrada a ascensão de Nossa Senhora, seguida de procissão e de uma missa na Igreja Matriz da cidade.

Embora a mãe de Jesus seja cultuada o ano inteiro, o ápice dessa devoção da Irmandade tem uma data marcada: acontece com a celebração da ascensão da santa. No calendário de duração da festa de Nossa Senhora da Boa Morte, sexta-feira e sábado são os dias dedicados aos cultos sagrados e secretos. Em cerimônia privativa, as irmãs rezam para Nossa Senhora enquanto queimam-se incensos na pequena casa ao lado da Capela da Ajuda, local onde uma imagem de 300 anos de Maria morta é arrumada e velada.

Boa Morte1

O sagrado dá passagem ao profano
Depois, é feita a saída em procissão do corpo de Nossa Senhora. Durante o cortejo, a imagem tricentenária da santa é carregada pelas irmãs que integram a comissão da festa no ano. Durante toda a procissão, elas são auxiliadas e se revezam no translado do corpo.

Boa Morte - Festa em Cachoeira - Foto do site Bahia Comenta

Todas vestem-se de branco, têm contas e brincos brancos ou prateados, usam torço muçulmano também branco e carregam tochas com velas acesas. O traje branco é sinal de luto para o povo de santo. A missa de corpo presente é feita em memória das irmãs falecidas. As irmãs retornam com o caixão à sede da sociedade.

Consagração - Foto Jomar Lima.jpg

Velam Nossa Senhora e fazem rituais secretos. Depois deles, oferecem uma ceia branca (peixes, pães, arroz e vinho) à comunidade. Como no candomblé a sexta-feira é um dia dedicado a Oxalá (um orixá associado a Jesus por muita gente) e como ele “não aprecia” dendê e carne, esses ingredientes são proibidos nessa refeição.

Ceia Branca da irmandade 1 - Foto Jomar Lima

Há quem diga que a ceia branca é preparada para as irmãs falecidas. Assim sendo, é alimento para egum (espírito de uma pessoa que já morreu) e só pode ser comido na sede da Boa Morte. “Há alguns anos, uma pessoa tentou levar comida embora e tomou um soco de um egum, derrubando tudo no chão. Isso foi um sinal de que os alimentos não deveriam ser comidos fora da nossa sede”, recorda uma das integrantes da confraria.

Boa Morte - Foto site TRIP DOWN MEMORY LANE

No sábado, na missa e na procissão simbolizando a morte de Nossa Senhora, as irmãs usam seus trajes de gala, as chamadas becas. A cabeça é coberta por um lenço branco denominado bioco. Sobre a camisa branca trazem um pano-da-costa de veludo preto. Na cintura amarram um lenço branco sobre a saia preta plissada e calçam chagrins (uma espécie de chinelo) brancos.

Velório de Nossa Senhoa em Cachoeira - Foto Site Trip Down Memory Lane

Domingo é o dia que se comemora a ascensão de Nossa Senhora ao céu. Para celebrar, as irmãs da confraria oferecem uma feijoada à população. Aí sim, começa a festa profana, bem do jeito que o baiano gosta. Ela dá direito a muita comida, bebida e a samba-de-roda. Como toda a festa que se preza na Bahia, a alegria começa com data e hora marcadas… mas só termina quando o fôlego acabar.

Festa da Irmandade da Boa Morte - Cachoeira - Bahia - Foto Rita Barreto - Bahiatursa.jpg

CACHOEIRA, MONUMENTO NACIONAL

Considerada monumento nacional e tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico em 1971, Cachoeira é a segunda cidade baiana (a primeira é Salvador) que reúne o mais importante acervo arquitetônico no estilo barroco. Suas casas coloniais, igrejas e prédios históricos preservam a imagem do Brasil Colônia, Império e República, quando por três séculos (do 17 ao 19) o comércio e a agricultura colocaram o vilarejo no ranking de um dos mais prósperos do País.

Cachoeira é Cidadezinha é repleta de sobrados - Foto Rita Barreto - Bahiatursa

Desde 2002, parte desse passado vem sendo resgatado pelo Programa Monumenta, do Ministério da Cultura, e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O primeiro passo desse projeto foi a restauração da pequena Capela da Ajuda, uma construção com características medievais e missionárias.

A capela foi edificada nos arredores do engenho de cana-de-açúcar, em volta da qual se formou a povoação. Em 1693, o povoado passou a se chamar Vila de Nossa Senhora do Rosário do Porto da Cachoeira. Erguida entre 1595 e 1606 por Paulo Dias Adorno – fidalgo português fundador do povoado que originou Cachoeira –, a Capela da Ajuda foi ainda primeira sede da Irmandade da Boa Morte.

Paço Municipal de Cachoeira - Foto Wikipedia.jpg

Entre outras obras, também já foram restauradas a casa onde nasceu a enfermeira Ana Nery, que cuidou dos feridos durante a Guerra do Paraguai: a cadeia e a Casa de Câmara. Construído entre 1698 e 1712, esse imóvel foi sede do governo da Bahia em dois períodos: em 1822, abrigou a junta governativa nas lutas pela independência da Bahia, e entre 1837 e 1838, por ocasião da Revolução da Sabinada.

Conjunto Convento do Carmo - Cachoeira (Bahia) - Foto  Rita Barreto - Setur.jpg

Ao todo o Monumenta prevê a restauração de 327 imóveis em Cachoeira. Entre eles, a Santa Casa de Misericórdia, o antigo fórum, a Igreja da Matriz e o conjunto do Carmo, de 1702. A  Matriz foi construída entre 1693 e 1754 e abriga os maiores painéis de azulejos portugueses com cenários bíblicos da América Latina. Já o conjunto do Carmo é integrado pela Igreja de Nossa Senhora do Rosário e Casa de Oração da Ordem Terceira, que reúne trabalhos em talha dourada e imagens com influências orientais.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário - Cachoeira Foto Wikimedia.JPG

O QUE FAZER NA CIDADE

Primeiro freguesia (1674), depois vila (1698), com mais de 300 anos de fundação e elevada à condição de cidade em 1873, Cachoeira, ao lado de São Francisco do Conde e Jaguaribe, é uma das três mais antigas cidades baianas. Com toda essa idade e história, Cachoeira abriga, naturalmente, um deslumbrante casario colonial. Todo esse conjunto de sobrados, praças, ruas, becos e ladeiras merece ser conhecido.

Outro ponto turístico de destaque é a Fundação Hansen Bahia. Ela reúne aproximadamente 13 mil peças, entre xilogravuras e matrizes, cópias assinadas e não assinadas do gravador alemão Karl Heinz Hansen, naturalizado brasileiro com o nome de Hansen Bahia.

O prédio da fundação é do século 17 e serviu de hospedagem para o imperador Dom Pedro 2º, em 1858, e para a princesa Isabel e o Conde d’Eu, em 1885, na inauguração da ponte Dom Pedro II (1822-1885), erguida em estrutura metálica importada da Inglaterra. A ponte interliga Cachoeira e São Félix, cruzando o Rio Paraguaçu. É, por si só, outra atração imperdível da cidade.

PARA SABER MAIS:

Programa Monumenta em Cachoiera: www.monumenta.gov.br/site/?p=509

Igreja da Ordem Terceira do Carmo: Praça da Aclamação, Centro

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, Rua Ana Nery, Centro

Fundação Hansen Bahia:  http://www.ufrb.edu.br/col/alunos/hansen/Site%20Museu%20Hansen%20Bahia5_arquivos/page0001.htm

Fotos: Rita Barreto/Bahiatursa, Site Bahia Comenta, Site upb.org.br, Facebook da Irmandade da Boa Morte, Site Trip Down Memory Lane e  Wikipedia.

 

Em Orlando, com tubarões e arraias

•Julho 28, 2017 • Deixe um Comentário

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O Discovery Cove está com novidades que prometem ser uma aula de conhecimento e de muita adrenalina para quem o visita. Conhecido mundialmente por suas interações com golfinhos, o parque situado em Orlando, na Flórida, Estados Unidos, possibilita agora a chance de o visitante nadar com tubarões e alimentar arraias.Arraias.jpg

A primeira atração conduz o visitante em uma fascinante experiência interativa, colocando-o diante desses incríveis predadores. Dividida em duas partes, a aventura começa quando os visitantes se encontram com uma equipe do parque e entram na água, onde aprendem sobre a anatomia dos tubarões e as ameaças que enfrentam na natureza.

Nado com tubarões2

Na “aula”, ficam sabendo, por exemplo, que os tubarões têm um papel essencial na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas do oceano em todo o mundo, controlando as populações de peixes. E também que muitas espécies são ameaçadas pela pesca excessiva e caçadas pela sua barbatana, atividades responsáveis pelo desequilíbrio na natureza.

Nado com tubarões - Foto Divulgação

Depois de aprenderam sobre esses predadores, todos são convidados a mergulhar e a se juntarem aos tubarões na parte mais profunda do habitat. Esta nova atração do parque está disponível para os visitantes com idade a partir de 10 anos. Custa US$ 85 por pessoa. Para cada pacote comprado, o SeaWorld doa 5% da receita ao Guy Harvey Ocean Foundation para apoiar a conservação e pesquisa de tubarões.

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Quanto a experiência de alimentar arraias, ela acontece no The Grand Reef. Guiada por uma equipe do aquário do parque, os visitantes de mais de 6 anos de idade podem interagir e aprender muito sobre as espécies de arraias, enquanto as alimentam. A interação para alimentar arraias tem um custo de US$ 50 por pessoa.

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Para participar das novas experiências, os visitantes devem adquirir o pacote do Discovery Cove – com ou sem nado com golfinhos. Os espaços são limitados e recomenda-se reservar com antecedência. Para mais informações e reservas, acesse o site discoverycove.com.

Arquitetura e arte da Catedral da Sé

•Julho 27, 2017 • Deixe um Comentário

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No período de 2000 a 2002, a terceira maior sede do catolicismo da cidade de São Paulo passou por um longo processo de restauração. Na época, acabou sendo tema de uma elaborada publicação. Lançado pela FormArte, o livro conta a história da Catedral da Sé, como é mais conhecida a igreja paulistana, desde a elaboração de seu projeto original em 1912 até os dias de hoje.  

Por Fabíola Musarra

Cartão-postal da capital paulista, a Catedral Metropolitana de São Paulo é uma atração imperdível para quem gosta de história e de arquitetura. Sem contar – naturalmente – para os fiéis.

Catedral da Sé - São Paulo.jpg

Há alguns anos, a igreja que está entre uma das cinco maiores góticas do mundo foi devolvida à população após ter passado por uma reforma que durou quase três anos e que incluiu obras de restauro e de recuperação interna e externa, além da construção de diversas partes não executadas do projeto original, de 1912.

Pela importância que representa para a metrópole paulistana, a Catedral da Sé mereceu a publicação de um livro. Em suas 230 páginas, a caprichada edição bilingue (português-inglês) retrata o dia-a-dia da restauração de um dos mais antigos templos católicos do País.

Interior da Catedral da Sé - Grande Órgao de Tubos - Wikimedia.jpg

Editado pela FormArte, o Catedral da Sé – Arte e Engenharia pode ser adquirido nas principais livrarias brasileiras. Tendo como pano de fundo a reforma da antiga igreja paulistana, mais do que discorrer sobre as obras de restauro e de recuperação, o livro resgata a história de um dos maiores marcos da arquitetura e da engenharia do País e do maior símbolo de São Paulo, o grande templo religioso, cujo entorno foi palco de tantos momentos marcantes da história do Brasil.

Inaugurada em 1954 antes mesmo ser concluída e após quatro décadas de obras, a Catedral da Sé, ao longo de tantos anos de existência, assistiu do alto de seus 92 metros de altura, o marco zero da capital paulista se transformar em cenário de inúmeras manifestações políticas. Casos do comício organizado pelos sindicatos no dia 1º de maio de 1914, das manifestações contra a ditadura de Getúlio Vargas em 1932 e dos atos públicos na década de 40 pela democratização política do País.

Em janeiro de 1994, a Catedral da Sé reuniu ao seu redor mais de 200 mil manifestantes no primeiro comício do Movimento das Diretas Já, que exigia eleições para a Presidência da República.

Na história contemporânea do Brasil, tornou-se símbolo das manifestações de resistência do autoritarismo do Golpe Militar de 1964. Em 1975, por exemplo, foi palco de ato ecumênico em protesto pelo assassinato do jornalista Wladimir Herzog, que foi preso pelo regime militar e morreu no Dops (Departamento de Ordem Política e Social). Em janeiro de 1994, reuniu ao seu redor mais de 200 mil manifestantes no primeiro comício do Movimento das Diretas Já, que exigia eleições para a Presidência da República. Essas e muitas outras curiosidades estão contidas no livro, que documenta em suas páginas e fotos a importância do grande símbolo da arquitetura religiosa da cidade, a Catedral Metropolitana de São Paulo.

Apogeu e decadência – Depois de ter sido palco de tantas manifestações, de ter presenciado de perto o crescente fluxo de veículos e ônibus em suas imediações e de ter visto a principal estação do metrô nascer (e ser inaugurada em 1978) praticamente sob as suas fundações, a Catedral Metropolitana de São Paulo – em função do tipo de solo onde foi construída e de todas essas interferências urbanas –, encontrava-se com sua estrutura comprometida, colocando em risco a segurança de seus frequentadores.

Sob alegação que a edificação apresentava riscos estruturais, o Departamento de Controle do Uso de Imóveis (Contru), órgão da Prefeitura de São Paulo, interditou a antiga igreja paulistana. A interdição aconteceu em julho de 1999, três meses depois da apresentação de um projeto de restauração e recuperação ao Ministério da Cultura. Algumas obras emergenciais foram realizadas para a reabertura parcial, de outubro de 1999 a maio de 2000, quando o projeto foi aprovado, possibilitando o início das obras de restauração.

Nos três anos em que a igreja permaneceu fechada foram reparados 52 vitrais e centenas de elementos artísticos, muitos deles datados do século 18. A reforma incluiu ainda a revitalização dos sinos da igreja, que já não funcionavam há cerca de quatro anos. De origem holandesa, os sinos feitos em bronze com estrutura de suporte metálica tiveram seus mecanismos completamente revitalizados. Desde a restauração, o carrilhão – composto por 61 sinos, 35 acionados eletronicamente – vem sendo tocado diariamente, fato indispensável para garantir o bom funcionamento e a apropriada manutenção do sistema. 

As obras de restauração solucionaram ainda vários outros problemas que ameaçavam a estrutura física da Catedral da Sé, abrangendo desde a correção de problemas de deterioração e desestabilização física (movimentação estrutural), fissuras, infiltrações de água, ataque de cupins até a substituição das estruturas elétrica e hidráulica. Antes de ser devolvido à população, um dos principais marcos da cidade foi inteiramente pintado e lavado, consumindo cerca de 6,2 milhões de litros de água e 3.630 litros de sabão neutro.

Em péssimo estado de conservação, o mármore (de procedência belga e italiana) e o granito também mereceram uma atenção especial. Materiais predominantes dos pisos da igreja, eles estavam bastante danificados devido às frequentes inundações, sendo que a cripta era a parte mais degradada. Trincados ou mesmo quebrados, muitos dos pisos de mármore tiveram de ser repostos. Para dar uma idéia, no acabamento foram utilizadas cerca de 800 toneladas de mármores raros.

O custo dessa primeira etapa do projeto foi de cerca de R$ 19,5 milhões, na época quando foi reformada. O montante obtido foi investido em duas etapas: fissuras, infiltrações de água, ataques de insetos xilófagos nas partes de madeira, deterioração de caixilhos e vitrais, readaptação das estruturas elétricas e hidráulicas, entre outros, e complementação das partes não executadas no projeto original (14 torreões secundários).

Projeto original – Os 111 metros de comprimento, 46 metros de largura, torres com 92 metros de altura cada e cúpula com altura de 30 metros nunca estiveram tão próximos do projeto original de concepção da Catedral da Sé. No projeto de restauração e recuperação apresentado pela Mitra Arquidiocesana de São Paulo ao Ministério da Cultura, por exemplo, já estava especificada a construção de 14 torreões que integravam o projeto original de construção da igreja.

Extremamente importantes na definição do estilo gótico, os torreões começaram a ser construídos em julho de 2001, quando a reforma da igreja já estava em andamento. Sua concretização, no entanto, exigiu uma intensa pesquisa. O aço e o granito – que compõem as duas torres datadas de 1956 – não eram adequados para a construção dos demais torreões, pois o peso desses materiais poderia afetar a estrutura do prédio. “O terreno onde está situada a Catedral da Sé é muito instável. Ela só está de pé porque foi construída devagar”, afirmou o arquiteto Paulo Bastos, responsável pelo projeto arquitetônico.

Depois de serem testados vários materiais, decidiu-se que o aço, em substituição ao concreto armado, e o GRC (em inglês, glass reinforced concrete, revestimento de argamassa com fibra de vidro) no lugar do granito seriam as melhores soluções. É a primeira vez que o GRC é usado em tais proporções no Brasil. “Esse tipo de estrutura, que também está sendo usada na Igreja da Sagrada Família em Barcelona, na Espanha, permite a redução do peso da estrutura em até 50%”, disse Maria Aparecida Soukef Nasser, gerente de obras da Concrejato.

De igreja a museu – Ao longo de 48 anos da Catedral Metropolitana de São Paulo, os 51 vitrais artísticos passaram por manutenções totalmente inadequadas, com o uso de materiais que prejudicaram ainda mais sua preservação. Retratando desenhos de passagens bíblicas, histórias de santos e fatos históricos (a chegada dos portugueses ao Brasil, por exemplo), os vitrais, em sua maioria, foram encomendados da Itália e criados por artistas de renome internacional, como Max Ingrand, Francesco Bencivenga e Gilda Nagni, apresentando uma linguagem e qualidade diferenciadas daquelas utilizadas pela Casa Conrado, em São Paulo, onde o artista José Wasth Rodrigues havia concebido parte deles no início da década de 40.

Nos vitrais europeus, a história é contada quadro a quadro. Cada um de seus pintores manteve a tradição do estilo gótico em que o importante não é rápida compreensão da imagem, mas sim o efeito luminoso que ela representa. Já nos nacionais, a linguagem proposta é mais clara e moderna, com um desenho central detalhado e moldura de figuras geométricas que se repetem, possibilitando a total compreensão do vitral. Entre os nacionais e importados, foram restaurados 51 conjuntos, correspondendo a uma área de 750 metros quadrados. Os vitrais restaurados ganharam um vidro de proteção transparente de 4 mm, enquanto aqueles localizados nas fachadas laterais do primeiro nível receberam uma tela metálica de proteção.

Dois tipos de objetos integram o acervo artístico da Catedral da Sé: os móveis (esculturas, imagens sacras, mobiliário, livros e aparatos religiosos, entre outros) e os elementos integrados à arquitetura (esculturas em granito, mármore e bronze, capitéis, colunas, a iconóstase – parede de granito na qual estão esculpidas imagens sacras – localizada na Capela do Santíssimo e as 32 tumbas da cripta, por exemplo). Durante a reforma, todos eles foram submetidos a uma avaliação criteriosa e foram submetidos, no mínimo, a um processo de limpeza.

Os objetos artísticos móveis não foram restaurados, com exceção de um crucifixo de madeira datado do século 18. A restauração dos demais elementos ainda vem sendo feita, pois a maioria das peças faz parte do acervo museológico da igreja, projeto da Arquidiocese Metropolitana de São Paulo. Nos elementos artísticos integrados à arquitetura não foi necessária a substituição de materiais. De excelente qualidade e em bom estado de conservação, eles apenas estavam muitos sujos, em razão das dificuldades de manutenção e das infiltrações que afetavam a quase totalidade do templo católico.

Graças à excelente qualidade da madeira, as portas não foram atacadas por cupins. Entretanto, grande parte delas estava comprometida pelo excesso de umidade. No total, a igreja tem 34 portas (14 na área externa e 20, na interna). Todas são de madeira. As portas da parte externa foram feitas com jacarandá da Bahia, madeira atualmente difícil de ser encontrada. Um grande problema que afetava as portas era a dificuldade em movimentá-las devido ao peso (a porta principal tem mais de 400 quilos) e da ferrugem nas dobradiças. Para resolver a situação foi criado um sistema especial de acionamento que utiliza rolamentos de caminhões.

Ainda agora, o prédio da Catedral Metropolitana de São Paulo continua recebendo melhorias, com o objetivo de futuramente constituir-se em um espaço aberto à visitação pública. Na realidade, membros da Igreja católica estudam um projeto para transformá-lo em um museu, proporcionando à população o conhecimento de seu importante acervo artístico, histórico, arquitetônico e cultural. Obviamente, a finalidade religiosa do templo continuará sendo prioridade.

Segundo os religiosos, a criação do museu poderia possibilitar que os visitantes tivessem uma visão privilegiada da paisagem urbana de São Paulo. Acompanhados por monitores, eles poderiam seguir roteiros de visitação interna e externa, aprendendo a história da Catedral da Sé, da antiga Catedral Colonial e a sua influência na formação do centro histórico paulistano, utilizando também o topo de uma das torres como mirante da paisagem urbana de São Paulo.

A história

Alguns anos depois da fundação de São Paulo, a população da vila já reivindicava a construção de uma matriz à Câmara.  Na sessão de 7 de fevereiro de 1588 há registros de pedidos para que no povoado “aja viguairo e hornamentos e sino e todo ho mais ao culto devino”. Nesse mesmo ano, a Câmara determinou a construção da matriz. Na época já existiam na vila a Igreja do Colégio dos jesuítas e a Igreja de Nossa Senhora da Luz.

A construção foi cercada de contratempos. Homens encarregados pelas obras da igreja desistiram da empreitada. Na sessão de 25 de abril de 1600, a Câmara ordenou que os moradores recomeçassem as obras com seus escravos, já que não havia índios para o serviço. A Igreja Matriz só ficou pronta provavelmente em 1612, pois a partir desta data não se encontram mais referências nas atas.

O local era na região onde fica atualmente a Catedral e a Praça da Sé, sendo muito difícil determinar a exata localização por falta de registros históricos. Só se sabe que, em 1745, com a criação do bispado de São Paulo, ela já não era mais utilizada pelas suas péssimas condições. O bispo dom Bernardo Rodrigues Nogueira fez a entrada solene em São Paulo na igreja de São Pedro.

Provavelmente por iniciativa do vigário Mateus Lourenço de Carvalho, a outra matriz teve sua construção iniciada em 1745, no estilo das construções do tempo da colonização portuguesa. Com a entrada no século 20, a população paulistana começou a se manifestar a favor da construção de um novo templo. Decidiu-se que as duas construções não poderiam coexistir, já que a nova catedral deveria ocupar o mesmo espaço físico da antiga. A construção também reflete a necessidade de a sociedade paulista se desvencilhar dos laços da colonização.

Datado de 1912, o projeto da Catedral da Sé é de autoria do arquiteto e professor da Escola Politécnica, Maximiliano Hehl, que adotou o estilo gótico e a inclusão de uma cúpula de concreto sobre o cruzeiro, característica academicamente classificada como pertencendo à arquitetura religiosa renascentista. Iniciada em 1913, as obras foram acompanhadas por Hehl até sua morte, em 1916, quando então passaram a ser supervisionadas por outros professores da Escola Politécnica.

Na arquitetura gótica da catedral há elementos que receberam a influência da cultura brasileira, dando a ela um aspecto ímpar. Detalhes nos capitéis das colunas representam animais da fauna brasileira (como tatu, porco, morcego) e plantas da flora nativa (maracujá, jabuticaba, entre outras). Terminada a obra das fachadas, em 1946, foram escolhidos os artistas que comporiam o espaço interno do templo. Em 1952 iniciavam-se em Roma os trabalhos de execução dos diversos elementos artísticos, concluídos dois anos depois.

Em 1954, a Catedral da Sé foi inaugurada. Mas ela ainda não estava concluída. Em 1956 foi organizada uma comissão responsável pela “Campanha das Torres para São Paulo”, com o objetivo de angariar fundos para a construção das torres e o término das obras. O complexo das obras foi considerado concluído com a chegada do majestoso órgão, o maior da América Latina. Fabricado em Milão (Itália) pela indústria Balbiani & Bossi, o instrumento tem cinco teclados manuais, 329 comandos, 120 registros e 12 mil tubos, cujas bocas, de forma gótica, apresentam relevos entalhados à mão.

O local para sua instalação – atrás das colunas que rodeiam o altar-mor – foi definido segundo exigências de ordem técnica, visto que sua localização no coro, situada sobre a porta principal de entrada do templo, poderia comprometer a propagação do som. Esta decisão veio ao encontro do fato de que nas funções litúrgicas em templos de grandes dimensões, como é o caso da Catedral da Sé, o som se propague o mais próximo possível do altar-mor e dos fiéis.

Você sabia?

A Catedral da Sé foi construída no mesmo lugar da “velha Sé”, como era conhecida a matriz que foi demolida.

A Catedral da Sé é a maior igreja de São Paulo. Foi inaugurada em 1954, para os festejos do 4° Centenário da cidade de São Paulo.

Serviço

Catedral Metropolitana da Sé – Praça da Sé, Centro, tel. (11) 3107-6832.

Catedral da Sé – Arte e Engenharia,vários autores, fotografias de Iatã Cannabrava e fotos inéditas da longa construção, que atravessou cinco décadas do século passado, Editora FormArte, 230 págs.

O Velho Mundo sob um novo prisma

•Julho 23, 2017 • Deixe um Comentário

Você é daqueles turistas que já embarcaram nos roteiros clássicos feitos pelo Brasil e pelo Exterior e agora está partindo para conhecer destinos diferenciados? Então, o que acha de visitar a Armênia e a Geórgia, tendo ainda a possibilidade de esticar até o Azerbaijão? Gostou da sugestão? Pense a respeito e anote:

Mounte Ararat e Ierevan - Foto Wikimedia

De 17 a 30 de setembro, a agência Latitudes, especializada em viagens de conhecimento, vai levar um grupo de turistas brasileiros para desbravar um lado pouco conhecido (e explorado) da Europa. O roteiro na Armênia começa em Ierevan, capital que surpreende por ostentar um contraste harmônico entre a modernidade e a tradição.

Opera House em Yerevan - Foto Wikimedia.JPG

Entre outras atividades em Ierevan, estão previstas visitas à Praça da República, a Opera House e ao Cascade Complex, onde fica o Cafesjian Museum of Contemporary Art. Inaugurada em 2009, a casa abriga uma impressionante coleção de obras de arte contemporânea. Entre elas, estátuas do escultor mexicano Fernando Botero.

Avenida Baghramyan - Foto Wikimedia.jpg

Ainda em Ierevan, será feita uma caminhada por uma das mais importantes avenidas do país, a Baguhramyan Avenue e um stop no Museu de História, que, entre as preciosidades de seu acervo, guarda o sapato mais antigo do mundo, encontrado em uma das antigas cavernas da Armênia, com mais de 5000 anos.

Chave simbólica de Yerevan na Northern Avenue. - Foto Wikimedia.jpg

O tour segue pela por várias cidades armênias, intercalando paisagens inenarráveis, lagos turquesa, cordilheiras, mosteiros, cidades medievais e patrimônios históricos, culturais e imateriais da humanidade. Depois, é a vez da Geórgia, país localizado no encontro da Europa com a Ásia.

Tbilisi _ Foto Visit Geórgia.jpg

A capital Tbilisi  vive, respira e transborda as influências culturais marcantes da Turquia, Rússia, Pérsia e da Ásia Central. Igrejas e monastérios milenares dividem o espaço com arquitetura contemporânea, uma efervescente  vida noturna e excelente infraestrutura turística.

Uplistsikhe Cave - Cidade de Gori, Georgia  - Foto Wikimedia.jpg

Em sua estadia em Tbilisi, você vai explorar parte deste tesouro histórico mundial, além de conhecer a antiga capital da Geórgia, Mtskheta, Patrimônio Mundial da Unesco. O cristianismo na Geórgia começou a partir desta cidade no século 4. Também vai visitar a cidade-caverna de Uplistsikhe, construída por volta do primeiro milênio, por tribos pagãs. A Rota da Seda passava por lá e esses traços ainda podem ser vistos.

Vista  de Baku - Foto  Wikimedia.jpg

A viagem termina, mas, se você quiser, tem a opção de dar uma esticada até o Azerbaijão. Na capital Baku, os muros da Cidade Velha protegem construções do século 15. Do lado de fora, uma metrópole pulsante e em crescimento. A antiga cidade de Shaki também será visitada. Ela é o paraíso para quem pretende comprar tapeçaria de seda, tradicional do país.

Cidade Velha no Azerbaijão - Foto Azerbaijan Tour_photoreport.jpg

O roteiro da agência Latitudes prevê muita coisa legal para  se ver e para ser desvendada nestes três países do Velho Mundo. Vale a pena conferir os seus  detalhes. Se está interessado, acesse o link http://static-latitudes.gcampaner.com.br/wp-content/uploads/2017/09/armenia-e-georgia-de-ierevan-a-tbilisi16.pdf.

 

 

Para amantes da gastronomia italiana

•Julho 19, 2017 • Deixe um Comentário

Se você é fã da culinária da Itália, o roteiro da Mi Piace pode te interessar. Ele prevê a degustação de tradicionais vinhos e pratos do país, além de dar dicas sobre produtos regionais e o seu preparo “all’italiana”.

Piazza Duomo de Milão - Itália - Foto Wikimedia.jpg

O roteiro de 11 dias começa no aeroporto de Guarulhos, com o embarque em voo rumo a Milão, no norte da Itália. Na chegada, a acomodação em hotel é seguida por tarde livre e jantar. No menu, o autêntico “Risotto Milanese”. Na capital da Lombardia também estão previstas visitas a um mercado na rua, a uma rotisserie e a uma gelateria.

Loja gourmet no centro de Milão - Site O Guia de Milão.jpg

O almoço acontece em restaurante especializado em “Polenta com Ossobuco”, com posterior pausa em uma loja de funghi, com uma aula sobre como utilizar a iguaria no preparo de pratos italianos. O fim da tarde é coroado por uma esticada a EatItaly, loja de produtos típicos do país.

Eataly Supermercado em Milão - Foto - Site flirtyfoodie

O próximo destino é Bergamo Alta, uma linda cidade medieval, onde o almoço – “Polenta Taragna” – em um restaurante do centro histórico é seguido de um stop em uma pasticceria bergamasca para provar os doces típicos da cidade. Depois de visitar à tarde uma vinícola na região da Franciacorta e degustar espumantes, você viaja para Verona.

Valpolicella - Verona.jpg

Na região vêneta do Valpolicella, o tour inclui visitas às vinícolas e degustação de vinhos. No menu do almoço, “Risotto all’Amarone”. Quando a refeição terminar, você pode fazer compras no centro histórico, e, mais tarde, aproveitar a noite livre na romântica cidade de Julieta e Romeu.

valpolicella - Foto Site Ifatto Quotidiano

De lá, ruma para Parma, onde o almoço-degustação é na Antiga Ardenga Massimo Pezzani, empresa produtora do famoso “Prosciutto de Parma”, e de vários tipos de salames, pancetttas e outras delícias da Emilia Romagna.

Prosciutto de Parma - Foto - Antica Ardenga Maximo.jpg

Já em Rocca de Rofena, você confere como é produzido o queijo “Parmigiano Reggiano” e faz um piquenique saboreando o “Borlenghi” (uma espécie de presunto), além de participar de uma divertida “caçada” às trufas brancas.

Mercado de San Lorenzo em Florença.jpg

Após o jantar, você viaja a Florença, onde de manhã visita o Mercado de San Lorenzo e, no fim da tarde livre, degusta um aperitivo “regado” a deliciosos crostinis e bruschettas fiorentinos, em VillaToscana.

Bruschetta- Foto- Site Ciao         Florentina.jpg

Na região do Chianti, a programação prevê a degustação de vinhos no castelo da vinícola Vicchiomaggio, além de paradas na na Antica Macelleria Falorni e no Consorzio dei Vini del Chianti, na cidade de Greve in Chianti. O almoço, “Bistecca Fiorentina”, é seguido por visita a Radda in Chianti, Castellina in Chianti e Gaiole in Chianti.

castelo da vinícola Vicchiomaggio.jpg

Conhecer a cultura senese e sua gastronomia é seu próximo passo. Em Siena, um passeio pela manhã te conduz a um laboratório especializado na produção do Panforte de Siena, com aprendizado e degustação.

Panforte de Siena- Foto Site L'Italo-Americano

A tarde é toda sua para explorar e se despedir da cidade, pois à noite volta a Florença, onde logo cedo visita ao Mercado de Peixe da praiana Viareggio. O cardápio do almoço é à base de peixe fresquinho.

Panorâmica de Florença - Rio Arno - Foto - Site Viva Toscana.jpg

O retorno a Florença acontece no fim do dia. Pela manhã, a viagem chega ao fim e você embarca em voo rumo a São Paulo. Custa a partir de 3.880 euros (parte terrestre) por pessoa em apartamento duplo, inclusos dez noites de hospedagem em hotel quatro estrelas com café da manhã, transfers, transporte e acompanhamento de profissional durante o percurso, seguro viagem e kit exclusivo. Informações: www.mipiace.com.br

Hotel palácio parisiense do século 18 reabre suas portas

•Julho 17, 2017 • Deixe um Comentário

Depois de quatro anos em obras e investimentos de 200 milhões de euros, o Crillon, espaço frequentado por dez entre dez jet-setters, é reinaugurado.

Praça da Concórdia em Paris - França - Foto Wikimedia

Para quem gosta de viajar e observar construções e estilos arquitetônicos das cidades que visita, os países da Europa são um prato cheio. Paris, na França, não é exceção. Lar da Torre Eiffel, do Arco do Triunfo e de tantas obras icônicas, a charmosa capital francesa reabriu, no início de julho, as portas do Hotel de Crillon, considerado uma preciosidade da arquitetura do século 18.

Fachada do Hotel Crillon em Paris - Foto Wikimedia

Símbolo do luxo francês daquele século, a construção à época foi realizada pelo arquiteto Ange-Jacques Gabriel. Para quem não sabe, o profissional viveu de 1698 a 1782 e foi neto e filho, respectivamente, dos arquitetos Jacques Gabriel (1630-1686) e Jacques Gabriel 5º (1667-1742). Como o seu pai, Ange-Jacques Gabriel foi o primeiro arquiteto do rei.

Foi sob ordens de Luís 15 que ele assinou os projetos das obras do Petit Trianon, em Versalhes, e da Escola Militar de Paris, além da Praça da Concórdia, um dos mais concorridos postais de Paris, situada bem em frente ao Hotel de Crillon. A proposta original do monarca era de que ali funcionassem órgãos do governo, mas acabou passando por diversas mãos da aristocracia francesa, como nas do conde de Crillon.

Em 1909, o antigo palacete de Crillon foi transformado em Hotel dos Viajantes. Atualmente, a propriedade pertence a um príncipe saudita. E, depois de mais de quatro anos em obras, o empreendimento agora está sendo operado pelo grupo de Resorts e Hotéis de Rosewood, tendo em seu comando o especialista da hotelaria de luxo Marc Peroryctes. Com a sua reinauguração, o hotel ganhou segundo subsolo com SPA e piscina.

Suite do Hotel de Crillon - Foto Divulgação.jpg

Além de seus 124 quartos, o empreendimento agora também disponibiliza 33 suítes, dez das quais tiveram sua decoração interior assinada por grandes estrelas do luxo. Caso de Karl Lagerfeld, estilista da Chanel e da Fendi e um apaixonado pela arquitetura do século 18, que assina o projeto de duas delas. O paisagista Louis Benech, um dos mais conceituados da França, ficou com os projetos dos jardins internos.

Suíte do Crillon - Divulgação.jpg

Mas há muitas outras novidades. Na cozinha a qualidade é garantida pela presença de Machado de Christopher. O renomado chefe retorna ao Crillon, casa onde recebeu em 2011 sua primeira estrela no Michelin. Já o L’Ecrin, principal restaurante do hotel, está com um novo menu, elaborado pelo chefe Christopher Hache, que viajou o mundo inteiro para se inspirar e criar os pratos.

Jardim de Inverno do Crillon - Foto Divulgação.jpg

Claro que não é todo mundo que pode se hospedar em um hotel com esse padrão. Mas, mesmo que você não seja um deles, se estiver em Paris, vale a pena dar e uma esticada até o Crillon. Em seu jardim de inverno, você pode tomar um café saboreando uma das delícias criadas pelo premiado chefe patissier Jérôme Chaucesse, enquanto observa o vibrante vaivém da Praça da Concórdia. Por sinal, com a reabertura do hotel, a praça e seu conjunto arquitetônico estão mais bonitos do que nunca!

Fonte da Praça da Concórdia em Paris - Foto Wikimedia.jpg

SERVIÇO – Hotel de Crillon – 10 Place de la Concorde, 75.008, Paris, França, tel.  (33) 1 44 71 15 00, site http://www.rosewoodhotels.com.