Florianópolis, muito além das praias

•Dezembro 3, 2016 • Deixe um Comentário

Para quem gosta de história, o centro da capital de Santa Catarina é um prato cheio. Local onde a cosmopolita metrópole nasceu em meados do século 17, a região abriga incontáveis preciosidades. E, acredite, vale muito a pena conhecê-las.

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Se você está passando uns dias ou pretende ir para lá, saiba que Florianópolis é muito mais do que a hipnotizante beleza de suas praias. Reúne em seu solo a exótica natureza da Mata Atlântica, cenários caribenhos e cantinhos ricos em costumes e tradições culturais. Não é só. Sua gastronomia é impecável e a vida noturna, efervescente.

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Mas o assunto é  história. E se você é, de fato, apaixonado pelo tema, preste atenção: Florianópolis abriga muitas preciosidades, entre fortalezas edificadas nos tempos do Brasil Colônia, sítios arqueológicos com inscrições e pinturas rupestres, museus e igrejas. É o lar ainda dos charmosos Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha,  antigos “vilarejos” onde permanece intacta a cultura de seus colonizadores: os açorianos.

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Se a sua passagem pela capital catarinense será  curta e  você quer conhecer um pouco sobre a sua história, o centro é uma boa opção, concentrando atrações que datam da época da fundação da ilha. Percorrer suas ruas, desvendar o passado da cidade, fazer compras em suas alegres feirinhas de artesanato e saborear comidinhas e drinques nos bares que se espalham pela região é uma experiência inesquecível.

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Seu passeio pode começar na Praça 15 de Novembro, que está localizada exatamente no lugar onde a cidade nasceu e se desenvolveu a partir de 1651, ano em que o bandeirante Francisco Dias Velho fundou a então Vila Nossa Senhora do Desterro. Foi arborizada durante o século 19, passando a ser o lar de árvores de grande porte, como palmeiras imperiais, fícus indianos e cravos-da-Índia.

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Tem como principal atração uma figueira centenária, um ponto de parada obrigatório para os turistas – ali se aglomeram para dar três voltas ao seu redor, acreditando que isso os fará voltar à cidade. A gigantesca árvore foi plantada em 1871 no terreno da Catedral Metropolitana. Dez anos depois, em 1881, foi transferida para o centro da praça, no local onde ficava um cemitério de mais de dois séculos.

Figueira da Praça 15 de Novembro - Florianópolis - SC - Foto Camila Valerim - Flickr.jpg

Outro charme da praça são os mosaicos de pedras portuguesas no piso. Eles formam figuras folclóricas da Ilha de Santa Catarina, descrevendo também cenas do cotidiano da cidade. Foram criados pelo artista plástico Hassis, falecido em 2001. Espalhados pelo local encontram-se ainda um monumento para os heróis mortos na Guerra do Paraguai e bustos que homenageiam catarinenses famosos, como o poeta Cruz e Sousa e o pintor Victor Meirelles, por exemplo.

No alto da praça está a Catedral Metropolitana, que substituiu a antiga capela erguida em 1651, por ordem do bandeirante e fundador do povoado, Francisco Dias Velho. O interior da igreja, construída entre 1753 e 1773, abriga pinturas como “A Fuga para o Egito” (1902) e a “Via Sacra” (1903), além de um órgão de tubos de 1924. Em 1922, a catedral foi ampliada e recebeu as duas torres com o carrilhão com cinco sinos.

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Em uma rua lateral à praça, você encontra o suntuoso Palácio Cruz e Souza, assim batizado em homenagem ao poeta simbolista nascido na ilha. Construído entre 1750 e 1765, foi o local dos despachos oficiais e residência dos governadores do Estado até 1954. Transformado em museu em 1986 com a transferência do Museu Histórico de Santa Catarina para o seu interior, o lindo sobrado colonial tem escadarias de mármore, pisos em parquet, colunas em estilo neoclássico, esculturas e pinturas no teto.

No outro lado da rua fica a Casa de Câmara e Cadeia. Erguida entre 1771 e 1780 e com paredes de pedras argamassadas com óleo de baleia, areia e cal, é considerada uma das importantes edificações da arquitetura civil do século 18. Desempenhou importante papel no contexto político e social da cidade. Ali foram empossados os presidentes da província e aconteciam bailes e festas oficiais. Serviu como cadeia para infratores da lei. Hoje, o prédio passa por reformas para receber o Museu da História de Florianópolis.

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A poucos passos da praça estão a Casa de Alfândega e o Mercado Público Municipal. Tombado pelo Iphan, o primeiro é reconhecido como um dos raros exemplares da arquitetura colonial portuguesa do Brasil. Inaugurado em 1876, somente foi ocupado em 1877. Em 1866, uma explosão destruiu totalmente o edifício de dois andares.

O prédio voltou a ser reconstruído em 1879, por ordem do presidente das províncias de Santa Catarina e do Espírito Santo, João Tomé da Silva. Em 1964, o porto fechou e a alfândega foi desativada. Agora, abriga um centro de artesanato, onde diariamente cerca de 120 artesãos de diferentes regiões do Estado demonstram as suas mais variadas técnicas aos visitantes, que testemunham de perto o processo de produção e a confecção de peças.

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Já o mercado é um dos badalados points de encontro e de paquera de Florianópolis. Frequentado pela moçada descolada, é repleto de animados barzinhos que servem bolinhos de bacalhau, pastéis de camarão e outros irresistíveis petiscos, além de cervejas e cachaças produzidas no Estado. Caso do Rancho da Ilha, onde essas e mais delícias podem ser experimentadas. Em dias úteis, os bares funcionam das 10 às 22 horas e, nos fins de semana e feriados, até às 17 horas.

Agito e azaração à parte, o mercado começou a ser planejado em 1845, quando o Imperador Dom Pedro 2º visitou a província e o pescado era vendido em tendas em praça pública. Sua construção apenas foi iniciada depois de dois anos. O mercado ficou pronto em 1851, mas foi demolido porque sua estrutura estava comprometida. Foi reconstruído e inaugurado em 1899. Passou por outra reforma em 2005, quando um incêndio devastou a ala norte.

Posteriormente, o mercado foi submetido a novas obras, mas preservou os conceitos arquitetônicos e o estilo neoclássico de sua construção original. Atualmente, possui 112 boxes, entre bares, restaurantes, peixarias, frutarias, açougues e lojas que vendem legumes, utensílios domésticos, roupas e artesanato. De segunda a sexta-feira é aberto das 7 às 19 horas. Aos sábados, funciona das 7 às 14 horas e, aos domingos e feriados, das 7 às 13 horas.

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Também no centro histórico ficam o Teatro Álvaro de Carvalho, a Casa de Victor Meirelles e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião dos Homens Pretos. O primeiro foi construído em 1854 e chamava-se Teatro Santa Isabel. Mais tarde foi rebatizado com o atual nome, em homenagem ao dramaturgo e militar que morreu na Guerra do Paraguai.

Já a casa onde nasceu Victor Meirelles (1832/1903) guarda obras históricas e objetos que fizeram parte da trajetória do pintor. Entre elas, as telas “A Primeira Missa no Brasil” (1861) e “Batalha de Guararapes” (1875/1879). Por sua vez, a igreja foi construída por uma confraria fundada por escravos em 1750. Tem arquitetura em estilo barroco e é uma das mais antigas da ilha – foi erguida pelos negros entre 1787 e 1830.

Esses são apenas alguns dos tesouros do centro histórico de Florianópolis. Com um mapa da cidade em mãos (facilmente obtido na recepção de hotéis, nos centros de informação turística e nas agências de turismo) e boa disposição para percorrer a região e em uma caminhada mais prolongada, é possível desvendar muitas outras de suas preciosidades. Boa jornada!

SERVIÇO

Catedral Metropolitana – Praça 15 de Novembro, tel. (48) 3224-3357, centro, Florianópolis.

Palácio Cruz e Souza – Abriga o Museu Histórico de Santa Catarina. Praça 15 de Novembro, 227, centro, Florianópolis.

Casa de Câmara e Cadeia – Praça 15 de Novembro, centro, Florianópolis.

Casa de Victor Meirelles – Rua Victor Meirelles, 59, tel. (48) 3222-0692, centro, Florianópolis.

Mercado Público Municipal – Rua Jerônimo Coelho, 60, tel. (48) 3225-8464, centro, Florianópolis.

Casa da Alfândega – Rua Conselheiro Mafra, 141, tel. (48) 3665-6097, centro, Florianópolis. Teatro Álvaro de Carvalho – Rua Marechal Guilherme, 26, tel. (48) 3665-6400, centro, Florianópolis.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião dos Homens Pretos – Rua Marechal Guilherme, 60, tel. (48) 3223-7572, centro, Florianópolis.

Caminhos de tentações gastronômicam em Florianópolis

•Novembro 10, 2016 • Deixe um Comentário

Ponte Hercílio Luz - Florianópolis  (SC) - Foto Wikimedia Commons.jpg

Se você conhece a efervescente capital de Santa  Catarina, sabe que em Florianópolis  não faltam opções de restaurantes e bares para comer bem, desde os que servem os pratos típicos catarinenses aos especializados em gastronomia internacional. Maior produtora de ostras do País, a ilha possui ainda muitas fazendas de produção do molusco, sobretudo em Ribeirão da Ilha e Santo Antônio de Lisboa.

Praia Ribeirão da Ilha - Florianópolis - Santa Catarina - Foto Wikimedia.jpg

Em um instrutivo passeio de barco às fazendas de maricultura existentes nesses antigos bairros de tradições açorianas é possível conhecer de perto a cultura de cultivo das ostras e degustá-las nos barzinhos e restaurantes que se multiplicam pelas suas rotas gastronômicas. Confira:

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Rota Gastronômica do Sol Poente Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui são duas das mais antigas colônias de pescadores da Ilha de Santa Catarina. Além da belíssima enseada de águas calmas e limpinhas, têm como ponto alto a gastronomia e a cultura. Suas ruas guardam valiosos tesouros herdados dos açorianos.

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Santo Antônio de Lisboa, por exemplo, recebeu os seus primeiros colonizadores no final do século 17 e cresceu no mesmo molde das vilas portuguesas, com duas ruas principais em paralelo ao mar e poucas ruas transversais.

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Em uma pequena caminhada pelas ruazinhas do vilarejo é possível desvendar o seu inestimável patrimônio arquitetônico, impresso nas casas e construções coloniais, na primeira rua calçada do Estado e na Igreja Nossa Senhora das Necessidades. Edificada entre 1750 e 1756, possui altares barrocos, ornados por imagens sacras de valor artístico e histórico.

Santo Antônio de Lisboa - Floripa (SC) - Igreja Nossa  Senhora  das Necessidades - Foto  Site  Matraqueando.jpg

Ao lado do vizinho bairro Cacupé, Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui integram a Rota Gastronômica do Sol Poente, assim batizada por proporcionar no final das tardes um memorável pôr de sol. Como a região abriga fazendas de ostras, a maioria dos barzinhos e restaurantes espalhados ao longo desta rota serve o molusco. Ele surge em versões gratinadas, ao bafo e in natura, temperado com sal, cachaça ou alho e óleo.

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À noite, o visual do mar com as suas dezenas de fazendas marinhas de ostras e de coloridos barquinhos atracados na areia da praia, tendo ao fundo as luzes do continente, da Ponte Hercílio Luz e da Avenida Beira-Mar Norte, é simplesmente imperdível.

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Rota Gastronômica das Ostras – No sudoeste da ilha, está Ribeirão da Ilha, segunda colônia a se desenvolver na cidade. Com pequenas praias de águas serenas e areias grossas, preserva as raízes açorianas da cidade, com charmosas casas e construções que exibem a arquitetura da época do Brasil Colônia.

Ribeirão da  Ilha - Foto Floripa Premium.png

Por mais de dois séculos, a pesca foi a principal atividade econômica da região. De uns anos para cá, porém, grande parte da economia local baseia-se no cultivo de ostras. Os moluscos vêm de fazendas marinhas que estão a poucos metros dos restaurantes que compõem esta rota gastronômica e são coletados instantes antes de serem servidos.

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Ribeirão da Ilha tem diversos restaurantes na orla. O Rancho Açoriano é um deles. Nesta casa de impecável gastronomia, caprichada decoração e deque no mar, as ostras são cultivadas na baía em frente ao restaurante, e servidas ao natural, ao bafo, gratinadas e em pratos como o espaguete com leite de coco.

Rota Gastronômica da Lagoa da Conceição – Situada a 13 km de Florianópolis, a Lagoa da Conceição é ponto de encontro de gente jovem e bonita, palco da noite mais descolada da ilha e famosa pelas rendas de bilro tecidas pelas suas rendeiras. Possuidora de magnetizantes paisagens, repletas de praias, dunas e montanhas, a região preserva casinhas e construções da época colonial.

Lagoa da Conceição - Foto  Wikimedia Commons.jpg

O centrinho da lagoa e a Avenida das Rendeiras concentram diversos pubs, bares, restaurantes e cafés com música ao vivo. Também é considerada como uma das mais ricas rotas gastronômicas da ilha. Foi nesta laguna que surgiu a “Sequência de Camarões”, onde o crustáceo é servido pelo menos de três maneiras: empanado, alho e óleo e ao bafo. O prato é acompanhado por peixe empanado ao molho de camarão, casquinha de siri e guarnições.

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Rota Gastronômica de Coqueiros – Com vista para a Baía de Florianópolis, a Via Gastronômica de Coqueiros é conhecida pela sua diversidade gastronômica, com bares, bistrôs e restaurantes que oferecem cardápios de pratos da gastronomia regional e de diversos países do mundo, como os especializados em comida japonesa, italiana, peruana, mexicana, árabe e outras. Ao atravessar a Ponte Colombo Machado Salles e seguir cerca de 1 km a oeste já aparecem as primeiras opções de lugares para comer, beber e petiscar que se estendem até as praias Itaguaçu e Bom Abrigo.

Bom apetite!

Mosteiro de Alcobaça passa por restauração

•Novembro 5, 2016 • Deixe um Comentário

Classificada como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1989, a abadia portuguesa, um dos mais emblemáticos monumentos cistercienses e a última fundação em vida de São Bernardo, está sendo restaurada. Embora as obras somente devam estar concluídas no fim do ano, o belíssimo convento gótico da Idade Média continua aberto à visitação.

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Se você estiver em Leiria e decidir visitar o Mosteiro de Santa Maria de Alcabaça, é bom saber que a primeira obra totalmente gótica erguida em solo português está sendo restaurada, embora continue aberta à visitação. Também conhecido como Real Abadia e Mosteiro de Alcabaça, o convento que é considerado uma das sete maravilhas de Portugal tem uma história apaixonante e merece ser conhecido.

Começou a ser construído na Idade Média, em 1178, pelos monges cistercienses, após doação de Dom Afonso Henriques ao abade da ordem religiosa de Cister, Fernando de Claraval, em 1153. Segundo a lenda, durante a Reconquista, à época da formação da nacionalidade portuguesa, Dom Afonso Henriques teria prometido à Santa Maria erguer um mosteiro em sua homenagem, caso conseguisse conquistar os mouros, o que veio a acontecer em 1147.

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O rei cumpriu a promessa, doando o território de Alcobaça ao abade daquela ordem religiosa – esta narrativa encontra-se documentada nos painéis de azulejos das paredes da Sala dos Reis do Mosteiro, que datam do século 18. Contudo, as obras para a construção da abadia apenas começaram a ser realizadas 25 anos após a doação.

 

Ruinas do Castelo de Alcobaça -  Foto Wikimedia Commons.jpg

No século 14, o mosteiro foi ampliado com outra doação, desta vez do rei Fernando 1º de Portugal. As obras só terminariam em 1240, dando-se a consagração em 1252. De sua construção original hoje restam as muralhas externas. A igreja, com 100 metros de comprimento e integrada por nove capelas, guarda os túmulos do terceiro rei português, Dom Afonso 2º, falecido em 1224, e os de Dom Pedro e Dona Inês de Castro.

Mosteiro de Alcobaça - Túmulo de Inês de Castro - Foto Wikimedia  Commons.jpg

Restauro – A Direção Geral do Patrimônio Cultural (DGPC) vai investir mais de 123 mil euros na conservação do Mosteiro de Alcobaça, incluindo a reparação do sistema de toque dos sinos, que deverão voltar a tocar no ano que vem. Segundo o órgão português, serão feitas intervenções profundas e necessárias à boa conservação do monumento. As obras deverão estar concluídas até ao final deste ano.

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Na primeira fase das obras de restauro serão feitos a conservação e o restauro dos elementos pétreos e caixilharias da fachada norte, adjudicada à empresa In Situ — Conservação de Bens Culturais. Ainda este  ano ocorrerá uma intervenção na torre sul, que engloba a beneficiação do sistema elétrico de comando dos martelos para toque dos sinos.  Para 2017 estão programadas outras obras no monumento, que serão iniciadas “de acordo com uma lista de prioridades e com a disponibilidade orçamental” da DGPC.

 

Para os fãs da literatura brasileira

•Outubro 21, 2016 • Deixe um Comentário

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Se você é admirador dos clássicos da literatura brasileira, um dia tem de visitar a pequena Cordisburgo, distante 113 quilômetros de Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais. Berço de João Guimarães Rosa, a cidade ainda preserva a casa onde o escritor morou desde o seu nascimento, em 1908, até os 9 anos de idade, além de manter intactos a simplicidade de seus moradores e os cenários onde Rosa buscou inspiração para criar os seus deliciosos romances, novelas, contos, prosas…

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Transformada em Museu Casa Guimarães Rosa em 1974, a antiga casa erguida nos séculos 19 e 20 foi reformada e agora abriga um fantástico acervo integrado por fotos, matrizes de xilogravuras usadas em volumes como Corpo de Baile (1956), espada, bainha e diploma da Academia Brasileira de Letras, rascunhos de trabalhos, máquina de escrever e outros objetos pessoais do médico, diplomata e escritor mineiro, autor de obras memoráveis, como Grande Sertão: Veredas.

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Não muito distante do museu o Portal Grande Sertão é outro local que merece a sua visita. Criado pelo artista plástico e escultor Leo Santana (o mesmo que, entre outras, criou a escultura do poeta Carlos Drummond de Andrade que fica na Praia de Copacabana no Rio de Janeiro), é feito com uma chapa de ferro onde se destacam as imagens em bronze e em tamanho natural do escritor e de seis vaqueiros em seus cavalos, tendo à frente a cadela dos contos de Rosa.

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Inaugurado em 2010 e concebido para ser uma extensão do Museu Casa Guimarães Rosa, o monumento reverencia a vida de vaqueiro que um dia o imortal decidiu vivenciar. Foi quando Rosa partiu e foi aprender na prática um pouco sobre o cotidiano, o modo de vida e a saborosa linguagem daqueles homens simples do sertão de Minas Gerais, temas sempre presentes no universo de suas obras.

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O museu e o pórtico são alguns dos atrativos locais, mas não são os únicos. A exuberante natureza, com caprichados shows que intermitentemente se revezam diante do olhar, completa a lista de atrações. Entre os espetáculos que diariamente oferece aos visitantes está a Gruta de Maquiné, um dos principais postais da simpática cidadezinha mineira de menos de nove mil habitantes.

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Descoberta em 1825 pelo fazendeiro Joaquim Maria Maquiné e somente aberta à visitação pública em 1908, a Gruta de Maquiné tem sete galerias e 650 metros de extensão, além de passarelas e trilhas bem iluminadas. Em seu interior, você vai poder testemunhar pinturas rupestres e os belíssimos salões do Trono e das Piscinas, por exemplo.

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Imponente, o primeiro tem duas grandes formações do tipo cortina, enquanto o segundo exibe colunas calcárias que descem do teto como cachoeiras petrificadas. Distante pouco mais de seis quilômetros da cidade, a gruta tem acesso bem sinalizado. Funciona das 8 horas às 17 horas, oferecendo visitas guiadas com duração de 40 minutos. Ingressos custam menos de R$ 20.

Cordisburgo oferece ainda uma simples, mas boa infraestrutura de hospedagem, com charmosos hotéis e graciosas pousadas. Também abriga barzinhos e restaurantes com pratos típicos da excelente gastronomia mineira, além de lojinhas onde você pode comprar tentadores doces caseiros. Arte, natureza e boa comida são, por si só, um irresistível convite para conhecer a cidade. Boa viagem!

Para mais informações, acesse www.cordisburgo.mg.gov.br. Você também pode conferir o vídeo em http://www.eravirtual.org/rosa_br
SERVIÇO

Museu Casa Guimarães Rosa – Av. Padre João, 744, centro, tel. (31) 3715-1425. Funciona de terça-feira a domingo, das 9 horas às 17 horas. Cobra ingresso simbólico pela entrada.

Portal Grande Sertão – Av. Padre João, Praça Miguilim, sentido Curvelo, bem ao lado da Capela São José, outra concorrida atração de Cordisburgo.

Gruta de Maquiné – Via Alberto Ramos, Rodovia MG-231, km 7, Cordisburgo (MG), tel. (31) 3715-1078.

São Paulo é vitrine de artesanato brasileiro

•Outubro 14, 2016 • Deixe um Comentário

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Se você está na cidade de São Paulo, gosta de artesanato e tem um tempo livre, não pode perder a Feira de Artesanato Sebrae Brasil Original. O evento será realizado de 20 a 23 de outubro, no Centro de Exposições Anhembi, reunindo 320 artesãos de todo o País. Durante a iniciativa, além de conhecer o rico artesanato brasileiro, você terá ainda a oportunidade de conhecer técnicas de produção e de gestão de negócios do setor. A entrada é gratuita.

A feira terá uma programação variada, oferecendo oficinas técnicas e práticas. As primeiras têm como objetivo capacitar os participantes, abordando também as tendências de matérias-primas, design e inovação em produtos do artesanato brasileiro. Já as oficinas práticas terão duração de uma hora de duração e a previsão é de que sejam ministradas cinco delas por dia.

feira-de-artesanato-sebrae-foto-sebrae-spAs oficinas práticas têm como proposta ensinar os visitantes sobre como fazer um produto e ainda como deve aplicar uma determinada técnica. Ao participar de uma delas, você poderá aprender, por exemplo, como fazer o entrelaçamento de PET reciclado, a confecção  de bijuterias de papel e o artesanato em fibras e taboa.

Se você apenas é um fã, se atua  ou se pretende atuar com artesanato, no local também encontrará estandes de consultoria individual, onde acontecerão 16 palestras sobre orientação empresarial, tendências, design, inovação, microcrédito, oportunidades, finanças e promoção no segmento de artesanato brasileiro. As palestras são gratuitas e têm uma hora de duração.

Feira de Artesanato Sebrae Foto Agências  Sebrae - Charles Damasceno.jpgSegundo o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, a feira deve  receber cerca de 20 mil em seus quatro dias de duração, constituindo-se em uma ótima vitrine para quem empreende no setor divulgar seu trabalho, fazer negócios e contatos. 

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“Sem falar que todos os expositores e visitantes poderão aprender técnicas de produção de artesanato e receber orientações de como administrar um empreendimento de forma correta”, afirma Afif Domingos.  

Para isso, o Sebrae em São Paulo disponibilizará um espaço de atendimento onde profissionais da entidade fornecerão consultorias de marketing, administração, finanças e jurídica. O empreendedor que desejar sair da informalidade também poderá abrir sua empresa durante o evento.

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Em 2014, a Feira Brasil Original foi realizada no Shopping Barra, em Salvador, na Bahia, Brasil. Foto: João Alvarez/ASN Bahia

Para evitar filas e facilitar a entrada no Anhembi, é possível fazer o credenciamento antecipado pelo site feiradeartesanato.sebraesp.com.br e retirar a credencial no dia da visita em um dos totens instalados no local. A inscrição também pode ser feita na hora no próprio Anhembi.

SERVIÇO

Feira de Artesanato Sebrae Brasil Original – Centro de Exposições Anhembi – Pavilhão Oeste.

De 20 a 23 de outubro de 2016, das 10 h às 20 h. Entrada gratuita.

Informações e cadastro para credenciais: feiradeartesanato.sebraesp.com.br

 

Dia das crianças em camping nas alturas

•Outubro 11, 2016 • Deixe um Comentário

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O Dia das Crianças está chegando e se você quer fugir das opções tradicionais, como zoológico, parques temáticos e cinema, por exemplo, uma sugestão para curtir um programa bem diferente com a garotada é se aventurar em um camping. Até aí não há nada de novo, se não fosse o fato de que esse acampamento acontece na cobertura de um prédio da cosmopolita e efervescente cidade de São Paulo, o Aki Hostel.

Com uma localização privilegiada – está situado a dez minutos da Avenida Paulista, no bairro Paraíso, a 900 metros do Centro Cultural de São Paulo e a 600 metros do Metrô –, o hostel possibilita que os hóspedes acampem no terraço do edifício onde está instalado, admirando o por do sol, o céu e as estrelas da maior cidade brasileira, visíveis sobretudo nesta época do ano, a primavera, e no outono, quando a urbana capital paulista é tingida por bucólicas paisagens.

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Além do terraço com cobertura retrátil para caso de chuva, o camping possui banheiro feminino e masculino com chuveiro quente e barras de apoio. Bebidas exclusivas, bem como churrasco estão disponíveis no lounge bar. E, se você não possui os equipamentos necessários para acampar, saiba que o albergue tem todos os apetrechos, disponibilizando desde barraca de dois lugares e colchonete a lençóis e travesseiros.

No que se refere à infraestrutura e aos serviços, oferece bar e restaurante, sala de televisão, recepção 24 horas, equipe multilíngue, cozinha para hóspedes, área para fumantes e wi-fi gratuito. O albergue ocupa cinco andares. Sua decoração interior, em preto e branco, é moderna e os espaços são amplos e bem-cuidados.

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O café da manhã é servido diariamente das 8 horas às 10h30, mediante o pagamento de uma taxa (atualmente custa em torno de R$ 15). O empreendimento não aceita animais de estimação nem tampouco possui estacionamento. Apesar disso, está classificado como um dos melhores hostels do País.

Com tantas facilidades, você estar pensando que o programa não vai caber em seu bolso. Está enganado! As diárias são bastante acessíveis e custam R$ 30 (camping), mas podem sair um pouco mais caro para quem preferir se hospedar em uma acomodação mais confortável. Ao todo estão disponíveis 21 opções de quartos, entre coletivos e privativos, com capacidade para até 86 pessoas.

Se você gostou da ideia e deseja obter mais informações, acesse http://akihostel.com, e clique no link www.campingsaopaulo.com.br. Depois, planeje a sua estadia, arrume as malas e divirta-se com a meninada!

 

SERVIÇO

Aki Hostel: Rua do Paraíso, 769, tel. (11) 3284-5766, Paraíso, São Paulo.

Conheça Oscar Niemeyer no interior de uma de suas obras

•Outubro 5, 2016 • Deixe um Comentário

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Considerado como um dos maiores e mais modernos museus da América Latina, o  Museu Oscar Niemeyer (MON)  é, por si só, um programa imperdível para quem visita Curitiba, a capital do Paraná. Quer pelo seu fantástico projeto arquitetônico, assinado pelo mais renomado arquiteto brasileiro, quer pelas exposições de artes visuais, arquitetura e design que abriga e promove. Ou ainda, pelo seu incrível e precioso acervo.

Ao todo, o MON reúne mais de 3.400 peças. São obras de Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Caribé, Di Cavalcanti, Tomie Otake, Ianelli, Francisco Brennand e Miguel Bakun, só para citar alguns. Entre as estrelas internacionais, nomes como o do “reinventor” da pop art, o empresário, pintor e cineasta norte-americano Andy Warhol, e do pintor, artista gráfico e ilustrador polaco Jacek Sroka.

Não é só o interior do MON que guarda preciosos tesouros. Em seu extenso jardim está exposta a “Cadeira do Mestre”, de Sergius Erdelvi, artista plástico nascido na extinta Iugoslávia, criado em Viena (Áustria) e naturalizado brasileiro. Gigantesca, a obra tem 5,20 metros de altura, 2,30 metros de largura e 1,65 metro de profundidade.

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Com mais de 35 mil metros quadrados de área construída e tendo como um de seus cenários os incontáveis tons de verde do Bosque do Papa, o MON foi inaugurado em 2002, quando o prédio principal deixou de ser sede de secretarias estaduais e foi adaptado, passando ainda a abrigar o popularmente chamado Museu do Olho.

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Este último é um anexo de quatro pavimentos, com 30 metros de altura, feito inteiramente de concreto e vidro, característica marcante das obras projetadas por Oscar Niemeyer. Assim como são as sensuais curvas que se exibem na área externa. Os dois museus são interligados por um túnel.

Ponte de ligação entre o passado e o presente, o moderno e o contemporâneo, o túnel fica no subsolo do edifício principal. Niemeyer, a exemplo do que sempre fez em sua trajetória profissional, conseguiu conciliar harmonicamente espaços construídos em épocas distintas, com absoluta genialidade e maestria.

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Além do acervo, das exposições, do Pátio das Esculturas e dos espaços de eventos e de ação educativa, o MON é integrado ainda por loja e cafeteria. Em seu subsolo fica o Espaço Niemeyer, onde é possível conhecer um pouquinho mais sobre o talentoso arquiteto brasileiro. Ali encontra-se uma exposição permanente, que reúne projetos, fotografias e maquetes de obras do (infelizmente) já falecido Oscar Niemeyer. Ainda quer mais?

SERVIÇO

Museu Oscar Niemeyer – Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba.  Funciona de terça a domingo, das 10 horas às 18 horas. Venda de ingressos até 17h30. Entrada é gratuita para crianças de até 12 anos e maiores de 60. Site: www.museuoscarniemeyer.org.br