Em Eldorado, quilombo paulista resgata as memórias dos escravos africanos no Brasil

Agência de viagens lança um roteiro privilegiando turistas que buscam ter contato com as raízes tupiniquins. Do tour faz parte a convivência com os quilombolas da comunidade mais antiga do Vale da Ribeira, em São Paulo.

 

Por Fabíola Musarra

 

A história deste pedaço de terra bem como a de sua gente remonta ao século XVII quando dois irmãos acompanhados de 10 escravos chegaram a região em busca do ouro que era abundante por ali

Embarcar em uma viagem de volta aos primeiros séculos de colonização do Brasil, com destino ao povoado de Eldorado, no Vale do Ribeira, em São Paulo. Ali, aprender um pouco sobre como viviam os escravos que, em nome da liberdade, fugiam das fazendas de seus senhores, refugiando-se em quilombos. Essa é a proposta da Plana Turismo de Experiência. A agência acaba de lançar um roteiro para o Quilombo Ivaporunduva. O tour acontece de 26 a 28 de julho e é uma oportunidade imperdível para quem quer conhecer um pouco sobre a história e a cultura brasileiras.

Ivaporunduva

O Quilombo Ivaporunduva está localizado a 55 quilômetros de Eldorado. E é nesse pequeno cantinho do solo paulista, em meio a uma invejável natureza, que vive a comunidade quilombola mais antiga do Vale do Ribeira. Sua origem remonta ao século XVII, antes mesmo da fundação de Xiririca, município posteriormente rebatizado com o nome de Eldorado. Hoje, sem jamais esquecer um passado que pulsa tradição, resistência e as memórias de seus ancestrais africanos, os quilombolas vivem do plantio da banana (sobretudo orgânica), do turismo cultural e do artesanato.

Quilombo de Ivaporunduva na região do Vale do Ribeira sul do Estado de São Paulo uma das raras localidades de Mata Atlântica preservada

Ao todo são 400 habitantes e 110 famílias que vivem no Quilombo Ivaporunduva, um território que é abençoado por cachoeiras e pelo Rio Ribeira de Iguape, que banha os estados do Paraná e de São Paulo com suas águas em tons café com leite. São pessoas simpáticas e hospitaleiras. Gente simples que preserva  a alegria, a garra e o espírito de luta de seus antepassados africanos. Assim como também guarda os seus saberes e as suas tradições.

A vivência – Segundo Liliane Jacintho, empreendedora social e sócia da Plana Turismo de Experiência, o tour para o Quilombo Ivaporunduva foi planejado com os objetivos de contribuir para a valorização e preservação da cultura local e de promover o desenvolvimento de uma atividade econômica sustentável para a comunidade, proporcionando ainda o contato dos viajantes com novas pessoas, lugares e culturas. “Será uma viagem de muitas conexões, repleta de história, cultura, ancestralidade e natureza”, diz.

A comunidade do Quilombo Ivaporunduva tem forte ligação com o período da escravidão no Brasil

“Os viajantes estarão imersos numa atmosfera cultural muito rica e em uma natureza exuberante”, acrescenta a sócia da Plana e empreendedora social Samanta Mazzolini, em alusão a fama do Vale do Ribeira de ser a “ Amazônia Paulista”. Localizada entre o Sul do Estado de São Paulo e o Norte do Paraná, a região é a que concentra o maior número de comunidades remanescentes de quilombos de todo o Estado de São Paulo – são 57, segundo a Fundação Palmares –, além de abrigar a maior área de Mata Atlântica preservada no Brasil.

Vista do quilombo Ivaporunduva como margens do rio Ribeira do Iguape

Quanto à programação, será integrada por uma roda de conversa, quando uma das lideranças da comunidade contará aos viajantes a história da formação do quilombo, as lutas, as conquistas e a resistência dos quilombolas. Também serão realizadas oficinas de artesanato, de garimpo do ouro e de gastronomia. Na primeira, os participantes aprenderão a confeccionar artesanato de fibra de bananeira, desde a retirada da fibra no caule da árvore até a tecelagem no tear.

Artesanato de fibras de bananeira praticado no quilombo Ivaporunduva

Na segunda eles ficarão conhecendo como os escravos faziam o garimpo e a mineração do ouro de aluvião, com o fim de entenderem a história de colonização do Vale do Ribeira. Já a de gastronomia será uma atividade completa, que proporcionará aos turistas a compreensão dos processos do plantio e da colheita até o preparo do alimento. O almoço no domingo será fruto dessa oficina. Também está programada uma noite cultural, com uma apresentação de violeiros para que os participantes se conectem com as músicas raízes da comunidade.

Artesanato dos quilombolas

Além dessas atividades, os visitantes terão ainda tempo livre para conhecer o Quilombo Ivaporunduva, interagir com as pessoas, criar conexões com o ambiente e com o próprio grupo e compartilhar os momentos das refeições. As atividades ocorrerão nos dias 25 e 26 de maio. A chegada ao quilombo será na noite de sexta, dia 24, quando acontecerá um jantar e os viajantes serão acomodados na pousada.

 

SERVIÇO

Vivência no Quilombo Ivaporunduva, em Eldorado (SP)

Data: de 26 a 28 de julho de 2019

Preço: R$ 750 por pessoa. Inclui o transporte saindo de São Paulo, a hospedagem na pousada do quilombo (quarto coletivo com banheiro), as refeições (café da manhã, almoço e jantar), as atividades previstas na programação acompanhadas por monitores locais e pela assessoria da equipe da Plana. Crianças com até 5 anos de idade não pagam.

Reservas mediante preenchimento do formulário https://forms.gle/icjNbTxcWB11FrKDA

 

Sobre a Plana

Fundada em 2017, a Plana Turismo de Experiência é uma agência com foco em turismo de experiência. Seu objetivo é fomentar a valorização cultural e a geração de renda nas comunidades tradicionais por meio de vivências culturais. As vivências são criadas com os moradores, respeitando a cultura e as particularidades de cada comunidade.  O tour ao Quilombo Ivaporunduva será a décima viagem organizada pela empresa, que já consolidou vivências no Quilombo da Fazenda, em Ubatuba (SP), onde já promoveu nove encontros.

Para mais informações, acesse  www.facebook.com/planaturismodeexperiencia

 

~ por Fabíola Musarra em Maio 12, 2019.

4 Respostas to “Em Eldorado, quilombo paulista resgata as memórias dos escravos africanos no Brasil”

  1. Muito legal. Parabéns pela história contada e visto com olhos de jornalista fica ainda melhor.

  2. Olá!!!
    Obrigada pela divulgação! Temos uma nova data para a Vivência, de 26 a 28 de julho! Venha conosco 🙂

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