Florianópolis, muito além das praias

Para quem gosta de história, o centro da capital de Santa Catarina é um prato cheio. Local onde a cosmopolita metrópole nasceu em meados do século 17, a região abriga incontáveis preciosidades. E, acredite, vale muito a pena conhecê-las.

praia-mole-florianopolis-brasil-foto-commons-wikipedia

Se você está passando uns dias ou pretende ir para lá, saiba que Florianópolis é muito mais do que a hipnotizante beleza de suas praias. Reúne em seu solo a exótica natureza da Mata Atlântica, cenários caribenhos e cantinhos ricos em costumes e tradições culturais. Não é só. Sua gastronomia é impecável e a vida noturna, efervescente.

santo-antonio-de-lisboa-construcoes-acorianas-em-florianopolis-sc-foto-cotidiano-ufsc

Mas o assunto é  história. E se você é, de fato, apaixonado pelo tema, preste atenção: Florianópolis abriga muitas preciosidades, entre fortalezas edificadas nos tempos do Brasil Colônia, sítios arqueológicos com inscrições e pinturas rupestres, museus e igrejas. É o lar ainda dos charmosos Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha,  antigos “vilarejos” onde permanece intacta a cultura de seus colonizadores: os açorianos.

ribeirao-da-ilha-foto-floripa-premium

Se a sua passagem pela capital catarinense será  curta e  você quer conhecer um pouco sobre a sua história, o centro é uma boa opção, concentrando atrações que datam da época da fundação da ilha. Percorrer suas ruas, desvendar o passado da cidade, fazer compras em suas alegres feirinhas de artesanato e saborear comidinhas e drinques nos bares que se espalham pela região é uma experiência inesquecível.

a-arquitetura-acoriana-e-visivel-em-muitos-locais-de-florianopolis-estas-sao-casas-em-santo-antonio-de-lisboa

Seu passeio pode começar na Praça 15 de Novembro, que está localizada exatamente no lugar onde a cidade nasceu e se desenvolveu a partir de 1651, ano em que o bandeirante Francisco Dias Velho fundou a então Vila Nossa Senhora do Desterro. Foi arborizada durante o século 19, passando a ser o lar de árvores de grande porte, como palmeiras imperiais, fícus indianos e cravos-da-Índia.

mosaicos-no-chao-da-praca-15-de-novembro-florianopolis

Tem como principal atração uma figueira centenária, um ponto de parada obrigatório para os turistas – ali se aglomeram para dar três voltas ao seu redor, acreditando que isso os fará voltar à cidade. A gigantesca árvore foi plantada em 1871 no terreno da Catedral Metropolitana. Dez anos depois, em 1881, foi transferida para o centro da praça, no local onde ficava um cemitério de mais de dois séculos.

Figueira da Praça 15 de Novembro - Florianópolis - SC - Foto Camila Valerim - Flickr.jpg

Outro charme da praça são os mosaicos de pedras portuguesas no piso. Eles formam figuras folclóricas da Ilha de Santa Catarina, descrevendo também cenas do cotidiano da cidade. Foram criados pelo artista plástico Hassis, falecido em 2001. Espalhados pelo local encontram-se ainda um monumento para os heróis mortos na Guerra do Paraguai e bustos que homenageiam catarinenses famosos, como o poeta Cruz e Sousa e o pintor Victor Meirelles, por exemplo.

No alto da praça está a Catedral Metropolitana, que substituiu a antiga capela erguida em 1651, por ordem do bandeirante e fundador do povoado, Francisco Dias Velho. O interior da igreja, construída entre 1753 e 1773, abriga pinturas como “A Fuga para o Egito” (1902) e a “Via Sacra” (1903), além de um órgão de tubos de 1924. Em 1922, a catedral foi ampliada e recebeu as duas torres com o carrilhão com cinco sinos.

palacio-cruz-e-sousa-florianopolis

Em uma rua lateral à praça, você encontra o suntuoso Palácio Cruz e Souza, assim batizado em homenagem ao poeta simbolista nascido na ilha. Construído entre 1750 e 1765, foi o local dos despachos oficiais e residência dos governadores do Estado até 1954. Transformado em museu em 1986 com a transferência do Museu Histórico de Santa Catarina para o seu interior, o lindo sobrado colonial tem escadarias de mármore, pisos em parquet, colunas em estilo neoclássico, esculturas e pinturas no teto.

No outro lado da rua fica a Casa de Câmara e Cadeia. Erguida entre 1771 e 1780 e com paredes de pedras argamassadas com óleo de baleia, areia e cal, é considerada uma das importantes edificações da arquitetura civil do século 18. Desempenhou importante papel no contexto político e social da cidade. Ali foram empossados os presidentes da província e aconteciam bailes e festas oficiais. Serviu como cadeia para infratores da lei. Hoje, o prédio passa por reformas para receber o Museu da História de Florianópolis.

casa-da-alfandega-florianopolis

A poucos passos da praça estão a Casa de Alfândega e o Mercado Público Municipal. Tombado pelo Iphan, o primeiro é reconhecido como um dos raros exemplares da arquitetura colonial portuguesa do Brasil. Inaugurado em 1876, somente foi ocupado em 1877. Em 1866, uma explosão destruiu totalmente o edifício de dois andares.

O prédio voltou a ser reconstruído em 1879, por ordem do presidente das províncias de Santa Catarina e do Espírito Santo, João Tomé da Silva. Em 1964, o porto fechou e a alfândega foi desativada. Agora, abriga um centro de artesanato, onde diariamente cerca de 120 artesãos de diferentes regiões do Estado demonstram as suas mais variadas técnicas aos visitantes, que testemunham de perto o processo de produção e a confecção de peças.

mercado-municipal-de-florianopolis-foto-commons-wikipedia

Já o mercado é um dos badalados points de encontro e de paquera de Florianópolis. Frequentado pela moçada descolada, é repleto de animados barzinhos que servem bolinhos de bacalhau, pastéis de camarão e outros irresistíveis petiscos, além de cervejas e cachaças produzidas no Estado. Caso do Rancho da Ilha, onde essas e mais delícias podem ser experimentadas. Em dias úteis, os bares funcionam das 10 às 22 horas e, nos fins de semana e feriados, até às 17 horas.

Agito e azaração à parte, o mercado começou a ser planejado em 1845, quando o Imperador Dom Pedro 2º visitou a província e o pescado era vendido em tendas em praça pública. Sua construção apenas foi iniciada depois de dois anos. O mercado ficou pronto em 1851, mas foi demolido porque sua estrutura estava comprometida. Foi reconstruído e inaugurado em 1899. Passou por outra reforma em 2005, quando um incêndio devastou a ala norte.

Posteriormente, o mercado foi submetido a novas obras, mas preservou os conceitos arquitetônicos e o estilo neoclássico de sua construção original. Atualmente, possui 112 boxes, entre bares, restaurantes, peixarias, frutarias, açougues e lojas que vendem legumes, utensílios domésticos, roupas e artesanato. De segunda a sexta-feira é aberto das 7 às 19 horas. Aos sábados, funciona das 7 às 14 horas e, aos domingos e feriados, das 7 às 13 horas.

teatro-alvaro-de-carvalho-florianopolis-brasil

Também no centro histórico ficam o Teatro Álvaro de Carvalho, a Casa de Victor Meirelles e a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião dos Homens Pretos. O primeiro foi construído em 1854 e chamava-se Teatro Santa Isabel. Mais tarde foi rebatizado com o atual nome, em homenagem ao dramaturgo e militar que morreu na Guerra do Paraguai.

Já a casa onde nasceu Victor Meirelles (1832/1903) guarda obras históricas e objetos que fizeram parte da trajetória do pintor. Entre elas, as telas “A Primeira Missa no Brasil” (1861) e “Batalha de Guararapes” (1875/1879). Por sua vez, a igreja foi construída por uma confraria fundada por escravos em 1750. Tem arquitetura em estilo barroco e é uma das mais antigas da ilha – foi erguida pelos negros entre 1787 e 1830.

Esses são apenas alguns dos tesouros do centro histórico de Florianópolis. Com um mapa da cidade em mãos (facilmente obtido na recepção de hotéis, nos centros de informação turística e nas agências de turismo) e boa disposição para percorrer a região e em uma caminhada mais prolongada, é possível desvendar muitas outras de suas preciosidades. Boa jornada!

SERVIÇO

Catedral Metropolitana – Praça 15 de Novembro, tel. (48) 3224-3357, centro, Florianópolis.

Palácio Cruz e Souza – Abriga o Museu Histórico de Santa Catarina. Praça 15 de Novembro, 227, centro, Florianópolis.

Casa de Câmara e Cadeia – Praça 15 de Novembro, centro, Florianópolis.

Casa de Victor Meirelles – Rua Victor Meirelles, 59, tel. (48) 3222-0692, centro, Florianópolis.

Mercado Público Municipal – Rua Jerônimo Coelho, 60, tel. (48) 3225-8464, centro, Florianópolis.

Casa da Alfândega – Rua Conselheiro Mafra, 141, tel. (48) 3665-6097, centro, Florianópolis. Teatro Álvaro de Carvalho – Rua Marechal Guilherme, 26, tel. (48) 3665-6400, centro, Florianópolis.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Sebastião dos Homens Pretos – Rua Marechal Guilherme, 60, tel. (48) 3223-7572, centro, Florianópolis.

Anúncios

~ por Fabíola Musarra em Dezembro 3, 2016.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

 
%d bloggers like this: