A Alemanha sob duas rodas

A Porta de Brandenburgo, um dos símbolos de Berlim

A Porta de Brandenburgo, um dos símbolos de Berlim, a capital da Alemanha.

Duramente bombardeadas na Segunda Guerra, Berlim, Potsdam e Dresden ainda agora estão sendo reconstruídas. Vibrantes, as três cidades alemãs são planas e escondem inúmeros tesouros históricos e culturais. Vale a pena desvendá-los de bike, numa aventura inesquecível.

Por Fabíola Musarra

Gosta de pedalar? O que acha de conhecer as históricas cidades alemãs de Berlim, Potsdam e Dresden de bike? Maior cidade da Alemanha, Berlim cativa não só pelas atrações que abriga, mas também por sua rica história.

Conhecer a capital alemã a bordo de uma bike é, sem dúvida, uma experiência única. Ainda mais nessa época do ano, quando a cidade tem clima agradável e suas sedutoras paisagens ficam ainda mais bonitas.

Na praça da Igreja Nova, Gendarmenmarkt, em Berlim.

Na praça da Igreja Nova, Gendarmenmarkt, em Berlim.

A metrópole é praticamente plana, o que facilita as pedaladas. Sem contar que as ciclovias em suas ruas mais importantes possibilitam o acesso aos principais pontos turísticos da cidade.

Se você ficou interessado, uma dica: sua aventura pode ser feita pela Butterfield & Robinson (B&R), empresa que disponibiliza um roteiro de bike para brasileiros. Com saídas de 15 a 20 de junho, o roteiro de cinco noites começa na pulsante Berlim, de onde segue para Potsdam, Patrimônio Mundial da Unesco, e termina em Dresden.

Em Berlim – O Portão de Brandemburgo é o ponto de partida da viagem. Reconstruída no final do século 18 como um arco do triunfo neoclássico, a porta dava acesso à cidade séculos atrás, quando Berlim ainda era bem pequena e circundada por muro. Hoje, é o seu mais famoso cartão-postal.

Checkpoint Charlie, uma das portas entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental, ainda está lá.

Checkpoint Charlie, uma das portas entre Berlim Oriental e Berlim Ocidental, ainda está lá.

O importante marco da capital fica na Pariser Platz, no bairro central Mitte. É dessa praça que você vai pedalar até Checkpoint Charlie, um antigo posto militar na fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental.

Durante a Guerra Fria, quando a cidade era dividida por um muro, o posto era usado só por membros das Forças Aliadas e diplomatas. Atualmente, é um dos locais mais visitados pelos turistas. Afinal, quem não quer tirar uma foto ao lado da placa ali existente informando “You are leaving the American sector”?

Do posto, você e sua bike seguem até a Potsdamer Platz, importante ponto de interseção de tráfego no centro de Berlim, distante cerca de um quilômetro ao sul do Portão de Brandemburgo. Com prédios modernos e arrojados, a praça foi alvo de muitos bombardeios durante a Segunda Guerra. Reconstruída, agora é um pulsante centro de lazer, com salas de cinema, restaurantes e bares.

O imenso Memorial do Holocausto, em Berlim.

O imenso Memorial do Holocausto, em Berlim.

Como e praça está a poucos quarteirões do Memorial do Holocausto, tente visitar esse histórico prédio. Inaugurado em 2005, é integrado por blocos de concreto cinza escuro e  de alturas variadas, distribuídos em fileiras paralelas. No subterrâneo há a sala chamada “Local da Informação”, onde uma exposição retrata a perseguição e o extermínio dos judeus.

Seu próximo destino é o Reichstag, a sede do Parlamento Federal alemão. Com dimensões monumentais, o prédio tem muita história para contar: foi de uma de suas janelas que, em 1918, o político Philipp Scheidemann proclamou a República na Alemanha. Em 1933, um incêndio em seu interior serviu de pretexto aos nazistas para iniciar a perseguição aos seus oponentes.

Seguindo pela Unter den Linden, você agora vai conhecer a Ilha dos Museus. No trajeto, repare que ao longo desta avenida que se estende da Pariser Platz até a Ponte Schlossbrücke encontram-se várias atrações, como a Ópera de Berlim, a Universidade Humboldt e os prédios Kronprinzenpalais e Prinzessinnenpalais, respectivamente os palácios do Príncipe Herdeiro e da Princesa.

Ainda nesta avenida fica o Neue Wache, um prédio em estilo neoclássico onde funciona o Memorial Central da República Federal da Alemanha para as Vítimas da Guerra e da Tirania, e o prédio Zeughaus, que abriga o Museu Histórico Alemão.

A Schlossbrucke, ponte histórica de Berlim.

A Schlossbrucke, ponte histórica de Berlim.

Após a  Ponte Schlossbrücke, você dá de cara com a  Ilha dos Museus. Patrimônio Mundial da Unesco, o majestoso complexo é integrado pela Catedral de Berlim, em frente à Praça Lustgarten, além de cinco museus: o Antigo, o Novo, o Pergamon, a Galeria Nacional Antiga e o Bode.

À tarde, você embora de Berlim. Por isso, dê um jeito de fugir do grupo e vá conhecer outras concorridas atrações da cidade, como a Gendarmenmarkt, uma praça no centro onde ficam a Casa de Concertos e as catedrais Francesa e Alemã. Ao redor da praça espalham-se muitas lojas e restaurantes, onde você pode almoçar e fazer compras.

Grupo de ciclistas passeiam em um dos   trechos do pouco que restou do Muro de Berlim.

Grupo de ciclistas passeiam em um dos trechos do pouco que restou do Muro de Berlim.

Atrativos não faltam na cidade, mas o tempo é curto. Mesmo assim, procure dar um pulo até o Muro de Berlim. Programa obrigatório, ele ainda agora, quando mais de 25 anos já se passaram desde a sua queda, fascina as pessoas.

Em alguns pontos de sua extensão, é possível ver trechos da extinta construção, como no East Side Gallery (entre a Ostbahnhof e a Ponte Oberbaumbrücke), onde pinturas de artistas do mundo revelam acontecimentos políticos ligados ao muro.

A Igreja de São Nicolau, em Potsdam.

A Igreja de São Nicolau, em Potsdam.

Potsdam – Depois do almoço, você vai pedalar rumo a Grunewald, um emaranhado de floresta verde-escura, lagos e parques, com destino a Potsdam, onde ficará os dois próximos dias.

Rica em história e cultura, Potsdam foi há três séculos a residência da Prússia, uma das mais suntuosas da Europa.

Os reis prussianos, especialmente Friedrich Wilhelm I e seu filho Friedrich II ergueram diversas construções na cidade e ao seu redor, transformando-a em um sonho barroco. Seus sucessores complementaram a sua paisagem com monumentos do classicismo.

Todo esse conjunto cultural de Potsdam foi declarado Patrimônio da Unesco em 1990. Inicialmente integrado pelos os Jardins de Sanssouci, Neuer Garten, Babelsberg, Glienicke e a Ilha Pfaueninsel com seus castelos, o conjunto foi  engrossado em 1992, com a incorporação do castelo e parque de Sacrow e da Igreja Heilandskirche.

Jardins do Palácio Sanssouci, em Potsdam, integram os patrimônios da Unesco.

Jardins do Palácio Sanssouci, em Potsdam, integram a lista dos patrimônios da Unesco.

Em 1999, a lista novamente foi ampliada com mais 14 monumentos, entre eles o castelo e parque de Lindstedt, a Colônia Russa Alexandrowka, o belvedere sobre a colina de Pfingstberg, a Estação Kaiserbahnhof e o observatório no Parque Babelsberger. Ao todom o patrimônio mundial abrange cerca de 500 hectares de parques e inclui 150 edificações do período entre 1730 e 1916.

Em sua estadia nesta cidade de sonho, você vai visitar alguns deles, como o palácio e os jardins do Palácio Sanssouci, a antiga residência de Frederico II, um refúgio onde o rei podia aprofundar seus conhecimentos em filosofia e artes sem as pressões da monarquia.

Depois de conhecer o palácio, você sua bike prosseguem por caminhos planos do majestoso do parque e seus pavilhões. O almoço é na Fazenda Meierei, no parque Neuer Garten, onde você pode experimentar as deliciosas cervejas ali produzidas.

Os bike-bars, com cerveja, refrigerqnte e snacks, fazem ponto ao longo dos roteiros dos ciclistas.

Os bike-bars, com cerveja, refrigerqnte e snacks, fazem ponto ao longo dos roteiros dos ciclistas.

A viagem segue pelo interior da floresta até o hotel, com tempo para relaxar antes de seguir pedalando rumo ao centro de Potsdam. Como não tem muito tempo, procure explorar o lugar o máximo possível. Comece a caminhada na Alter Markt. Ali, no antigo estábulo Kutschstall, hoje funciona a Casa da História de Brandemburgo e Prússia. A praça vizinha, Luisenplatz, liga a barroca Rua Brandenburger Straße ao bulevar que leva à entrada do Parque Sanssouci.

No centro da Marktplatz há um obelisco de 16 m de altura com retratos de grandes arquitetos de Potsdam. Atrás dessa praça fica o Neuer Markt, o novo mercado. Construída nos séculos 17 e 18, é uma das praças barrocas mais bem conservadas da Europa.

O centro antigo de Potsdam também acolhe três grandes e lindas portas: a de Brandemburgo, a Jägertor e a Nauener Tor, um vibrante ponto de encontro. É através desta última que você chega ao Holländisches Viertel, o charmoso bairro dos holandeses, com seus caprichados pátios internos, cafés, bares e galerias de arte.

Se a sua agenda permitir, faça um passeio em um dos antigos barcos a vapor da Weiße Flotte (a rota Branca), cruzando as águas da cidade. Conforme o roteiro escolhido, a embarcação pode te conduzir até a Glienicker Brücke, a ponte que liga Potsdam a Berlim e sobre a qual era feita a troca de espiões e agentes secretos entre o lado ocidental e o lado oriental até os anos de 1980.

O simpático Kongresshotel, em Potsdam

O Kongresshotel, um dos curiosos hotéis de Potsdam,

Também não deixe de conhecer Babelsberg, uma das mais antigas metrópoles cinematográficas da Europa – ali foram produzidos mais de três mil filmes para o cinema e a televisão. Entre março e outubro, o local abre suas portas aos turistas.

Logo cedo, você segue em direção até a borda ocidental da Floresta Spree. As incessantes mudanças da paisagem vão se revezar no trajeto até revelar um campo pontilhado por bosques e pequenos rios prateados, um local perfeito para um piquenique.

Na hora de voltar a Potsdam, você tem duas opções: pedalar pelo caminho mais longo percorrendo a reserva Spreewald, ou seguir pela rota mais curta, indo direto para o hotel, com tempo livre para desfrutar do SPA ou passear pelas ruas de Potsdam. Lembre-se que elas guardam inúmeros tesouros.

O Castelo Albrechtsburg, no Vale do Elba, na Saxônia.

O Castelo Albrechtsburg, no Vale do Elba, na Saxônia.

Saxônia – É chegada a hora de se despedir da bela Potsdam. A saída em direção ao sudoeste tem como destino o Vale do Elba, na Saxônia, tradicional região produtora de vinhos. Tem, inclusive, uma rota turística privilegiando seus bonitos vinhedos.

O percurso sob duas rodas é feito em uma ciclovia plana que se estende ao longo das margens do Rio Elba, com parada em Meissen, cujo Castelo Albrechtsburg impera soberano na paisagem.

Pode acreditar, essa construção de estilo gótico merece sua visita. Além da visão panorâmica que proporciona do Elba, é considerado o primeiro castelo construído no país e abriga museus e coleções, como a de porcelana.

Uma schack, casa de campo típica da Saxônia, toda feita em madeira.

Uma schack, casa de campo típica da Saxônia, toda feita em madeira.

Ao circular pela cidade, repare também no conjunto de sinos de porcelana na torre da igreja gótica Frauenkirche, cujo som encanta os ouvintes desde 1929. Já na Igreja Nikolaikirche encontram-se as maiores figuras produzidas em porcelana de Meissen.

Não é à toa que você vai ouvir falar muito dessas delicadas peças por aqui – a cidade é sede da fábrica que é internacionalmente famosa pela produção da porcelana Meissen.

Conhecida como berço da Saxôxia, a cidade de belíssima arquitetura tem uma história que remonta a mais de mil anos. Entre seus encantos, não deixe de admirar a catedral gótica de Meissen, de torres desiguais: as ocidentais só foram concluídas entre 1904 e 1908. Já a torre oriental data dos séculos 14 e 15.

Região do centro histórico de Dresden.

Região do centro histórico de Dresden.

Dresden – Capital da Saxônia, Dresden é a parada seguinte. Em uma ciclovia plana, você vai pedalar pelo coração dessa graciosa e pulsante cidade da Alemanha, agora totalmente reconstruída dos tempos de guerra.

A maioria de seus monumentos foi erguida nos séculos 17 e 18, pelo príncipe Augusto, o Forte, como o Palácio Zwinger e as igrejas de Frauenkirche e Hofkirche. Durante a Segunda Guerra, muitos deles formam danificados – alguns foram reerguidos décadas depois, outros sumiram para sempre.

Dresden, desde a reunificação alemã, é intensamente reconstruída, restaurada e transformada. Efervescente, abriga a Ópera Semper, diversas as galerias de arte e museus – o da Abóbada Verde e o histórico Deutsches Hygienemuseum são alguns deles.

À noite, os fervilhantes barzinhos do bairro Neustadt, na cidade nova, são invadidos pelos estudantes de suas universidades. Já o centro antigo da cidade atrai, sobretudo, o público internacional para os inúmeros festivais de cinema, dança e música.

Uma das muitas cervejarias na rota das bicicletas, nos arredores de Dresden.

Uma das muitas cervejarias na rota das bicicletas, nos arredores de Dresden.

Apesar de ainda estar sendo reconstruída, Dresden faz jus ao título de Florença do Elba, pelo grande conjunto de belezas artísticas e naturais que concentra. Seus floridos parques são um convite para as caminhadas, enquanto as ciclovias ao longo do Rio Elba também servem de palco para corridas e para a prática de skate.

Ainda em Dresden, você e sua bike vão partir do centro da cidade, seguindo o caminho para Elba ao longo o rio. Se preferir, pode ir pela a Suíça da Saxônia, a Sächsische Schweiz, uma extensa reserva natural que se estende até a fronteira tcheca.

Encontro com cervo selvagem em estrada na Saxônia.

Encontro com cervo selvagem em estrada na Saxônia.

Como companhia terá fascinantes paisagens ora tingidas por pitorescas formações rochosas de arenito, penhascos e cavernas, ora por ravinas profundas.

O passeio segue ao longo da costa, onde acontece uma travessia de balsa. No retorno a Dresden, a aventura é coroada com um jantar de despedida, com música e brindes.

Depois de seis dias, o sonho chega ao fim. Se não tiver de fazer o check-out no hotel, aproveite para explorar mais a vibrante Dresden. Auf Wiedersehen!

Em média, você vai percorrer 40 quilômetros por dia em terrenos planos. O roteiro inclui a hospedagem com café da manhã, quatro almoços e quatro jantares com acompanhamento de vinhos, guias, van de apoio, tours privativos e entradas, bicicleta hibrida ou racing com guidão curvado, mapas detalhados, sugestões de rotas, água durante os percursos e transporte do início ao término da viagem. Custa US$ 5.795 por pessoa em quarto duplo e pode ser adquirida na Mixtur Viagens e Turismo, tel. (11) 3246-2999.

~ por Fabíola Musarra em Março 24, 2015.

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