Festas populares – O protetor dos partos

Por Fabíola Musarra

Todos os anos os devotos de São Raimundo Nonato, no sudeste do Piauí,  têm um encontro marcado: durante o período de 22 a 31 de agosto comemoram a data dedicada ao santo, que é o padroeiro da cidade. Logo no dia 22, sempre às 19 horas, os fiéis rumam à Igreja Matriz, uma construção de 1876. Diante do altar, fazem novenas, ladainhas e também preces silenciosas ao padroeiro. È a abertura da festa religiosa.

Depois, a Avenida João Dias, também conhecida como Avenida dos Estudantes – é palco de uma comemoração profana: dezenas de barraquinhas de comidas típicas e bebidas se espalham ao longo de toda a sua extensão.

Ali há diversão garantida para todas as idades, desde a pescaria e outras brincadeiras comuns em quermesses até o carrossel e a roda-gigante especialmente montados para a festividade. Toda ela regada a muita música. Afinal, numa tradicional festa nordestina não pode faltar o forró e – mais recentemente – o pagode!

No último dia da festa, às 17 horas, a imagem de São Raimundo Nonato é levada pelos devotos. Em romaria, percorre as principais ruas da cidade. Em seguida, a procissão retorna à Matriz e a imagem é devolvida ao altar. Até o mês de agosto do próximo ano, será dali que o santo ouvirá os pedidos de seus fiéis, gente humilde que tem na fé a sua única arma para lutar contra as condições adversas do clima da caatinga.

Crenças à parte, a devoção a São Raimundo Nonato é fruto da colonização brasileira por jesuítas europeus. Cultuado na Espanha, onde nasceu em Portell, na Catalunha, em meados de 1200, ele teve um trágico nascimento: sua mãe morreu durante o parto e ele teve de ser extraído do corpo dela já sem vida. Em função disso, recebeu o nome de Nonato, que significa não-nascido de mãe viva.

Em 1224, Nonato tornou-se um seguidor da Ordem de Nossa Senhora das Mercês, criada por Pedro Nolasco em 1218, em Barcelona, com a principal missão de libertar cristãos que caíam nas mãos dos mouros, tornando-se escravos. Tinha então 24 anos. Em 1226, foi para a Argélia (África) para resgatar cristãos dos mulçumanos. Libertou muitos deles. Pouco depois se ofereceu como refém, a fim de consolar os prisioneiros.

No cativeiro sofreu incontáveis humilhações e crueldades. Ainda assim, continuou pregando a Bíblia e convertendo as pessoas, o que despertou a ira dos magistrados mulçumanos. Eles ordenaram que seus lábios fossem furados com ferro quente e trancados com um cadeado, para impedir que ele pudesse falar e continuar pregando a doutrina de Cristo. Foi assim torturado por oito meses, quando foi resgatado. Com a saúde precária retornou à Espanha.

Na Catalunha em 1239, o papa Gregório 9°, em reconhecimento às suas virtudes, o nomeou para ser seu conselheiro em Roma. Partiu no ano seguinte, mas não chegou ao seu destino. Próximo de Barcelona, na cidade de Cardona, foi vitimado por uma forte febre. Não resistiu e morreu no dia 31 de agosto de 1240, aos 40 anos de idade. Foi sepultado em Cardona e o seu túmulo se tornou local de peregrinação. Seu culto se propagou pela Espanha e Europa. São Raimundo Nonato, devido à condição difícil do seu nascimento, é invocado como protetor dos partos, das parturientes e das parteiras.

~ por Fabíola Musarra em Janeiro 5, 2011.

2 Respostas to “Festas populares – O protetor dos partos”

  1. Este seu trabalho é lindo, me enche de vontade de arrumar as malas e sair mundo a fora. bjussss Parábens…

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