João Pessoa – Paraíso de belezas naturais

Considerada a cidade mais verde e oriental das Américas, João Pessoa concilia toda infraestrutura e o conforto de uma capital urbana a indescritíveis cenários naturais. Com areias branquinhas e águas translúcidas, suas praias cinematográficas imperam absolutas no ranking de belezas da Paraíba

Por Fabíola Musarra

Pequena, limpa, segura e cheia de charme, João Pessoa, a capital da Paraíba, tem o seu ponto alto nas exuberantes praias que se espalham nos 130 quilômetros de orla que integram o seu litoral. Com moderna infraestrutura, a cidade nem por isso conhece os congestionamentos e a poluição tão comuns aos grandes centros urbanos. Ao contrário, a qualidade do ar que ali se respira é considerada como uma das melhores do planeta. Seus 29 metros quadrados de área verde por habitante a colocam em uma privilegiada posição no ranking mundial, no qual perde apenas para Paris, na França. A violência de assaltos e crimes também ainda não chegou às suas ruas – aliás, suas estradas são muito bem policiadas, impedindo que marginais venham a se instalar no Estado.

Talvez todos esses motivos façam os seus habitantes estarem sempre de bem com a vida – eles são extremamente alegres, simpáticos e hospitaleiros. Acostumados com o crescente número de turistas que cada vez mais invade a capital, sobretudo nos meses das férias escolares, estão sempre dispostos a dar dicas sobre tudo o que há de melhor em sua cidade, desde as praias mais bonitas até os locais históricos, passando ainda pelos endereços de irresistíveis tentações gastronômicas, de onde comprar o artesanato típico e dos pontos do agito.

Se o assunto é gastronomia, a capital paraibana tem restaurantes capazes de saciar todos os gostos e bolsos, desde os self services até os que servem rubacão (uma versão paraibana do baião de dois), tábuas de carne e feijoadas (a do restaurante do Hotel Tropical Tambaú aos sábados é imperdível). No entanto, João Pessoa é uma cidade litorânea e naturalmente seus pratos típicos têm como base os frutos do mar. Ali também são famosas as frutas – o cupuaçu, o cajá, o caju e a graviola, só para citar algumas –, sendo que o abacaxi produzido naquele Estado é considerado o mais doce do Brasil.

Igualmente renomadas são as cachaças paraibanas (a Rainha, a Volúpia e a Serra Preta e a São Paulo) são umas das mais tradicionais, mas existem muitas outras. Suas principais cachaçarias, por sinal, atualmente são uma atração à parte do Estado e, já há alguns anos, constituem-se em um pitoresco roteiro turístico: o Caminho dos Engenhos (se tiver tempo, não deixe de conhecer).

João Pessoa possui três lindas praias urbanas: Tambaú, Cabo Branco e Manaíra. Com charmosos barzinhos e casas noturnas, a primeira é o point para quem é boêmio e curte agitar a noite. Já Cabo Branco fica interditada para automóveis das 5 às 8 horas, horário em que sua pista de cinco quilômetros é liberada apenas para pedestres, que ali fazem suas caminhadas e exercícios matinais. Por sua vez, Tambaú é o ponto de partida para conhecer um dos mais memoráveis cartões-postais de João Pessoa: Picãozinho, um conjunto de piscinas naturais entre corais existentes a dois quilômetros da costa (o passeio dura três horas e custa R$ 20 por pessoa).

Embora essas praias tenham águas transparentes e sejam propícias aos banhos de mar, em termos de beleza, elas perdem – e feio – para às do litoral sul e norte, donas de cenários cinematográficos. Antes de ir a qualquer praia, porém, é preciso chegar até elas. Para isso, melhor é entender a geografia da cidade. Nela, o ponto de referência é a Avenida Epitácio Pessoa, que divide o litoral sul do norte. Cabo Branco, por exemplo, é a primeira praia do sul, enquanto Tambaú, a primeira do litoral norte. Outra opção é se orientar a partir do rio Paraíba: ao sul dele ficam os municípios de Cabedelo, João Pessoa e Conde. Ao norte está Lucena, Costinha e Baía da Traição. Se alugar um carro, deverá pegar a PB-008, que vai de João Pessoa em direção ao sul. Para ir ao litoral norte, a opção é a BR-101.

No litoral sul, a Praia Ponta dos Coqueiros é de uma beleza indescritível. Mas há, ainda, muitas praias. A da Barra de Gramame, Jacumã e Tambaba são apenas algumas delas. Situada na divisa entre João Pessoa e Conde, a primeira abriga o rio Gramame à esquerda e as águas cristalinas do mar, à direita, enquanto a segunda também é conhecida como Pedra Furada, uma rocha vulcânica com 2 metros de diâmetro.

Os guias turísticos e os bugueiros contam que o local era utilizado para a realização de casamentos indígenas. Por isso, “juram” que os pedidos feitos quando se passa por debaixo da pedra se concretizam. Já Tambaba, com suas cristalinas piscinas naturais, é o endereço certo para os adeptos do naturalismo. Um lembrete para os garanhões de plantão: ali qualquer homem só entra se estiver acompanhado por uma mulher.

Entre as praias do litoral norte encontram-se Costinha, a lindíssima Ilha de Areia Vermelha (situa-se em Cabedelo, na Praia de Camboinhas, a dois quilômetros da beira-mar e só “pode ser vista” por cerca de cinco horas, quando a maré está baixa – quando isso acontece, o acesso até a ilha é feito por catamarãs) e Lucena, um pequenino paraíso repleto de coqueiros, onde o pôr do sol é deslumbrante.

Imperdível também é pôr do sol às margens do rio Sanhauá (o principal afluente do Paraíba), em Cabedelo, a 12 quilômetros ao norte da capital. Ali, na praia fluvial do Jacaré, o sol se despede de mais um dia ao som do Bolero de Ravel. Desde 2000, Jurandy do Sax executa a melodia em seu saxofone. Em um pequeno barco, o músico percorre os restaurantes à beira do rio enquanto o sol lentamente vai se escondendo atrás das matas, num espetáculo mágico que se repete todos os dias ao entardecer. Além dos bares em palafita, a Praia do Jacaré abriga também uma feirinha de artesanato.

Surfe e tartarugas

Ainda em Cabedelo, mas já bem mais perto da capital fica a Praia de Intermares. Com ondas maneiras, é o ponto de encontro da moçada que gosta de surfar. Mesmo que o surfe não seja a sua praia, vale a pena ir até lá, mais especificamente ao Bar do Surfista (Praia de Intermares nº 10). Com um pouquinho de sorte, você pode testemunhar (e se emocionar) o nascimento de centenas de tartaruguinhas. No local, funciona o Projeto Tartarugas Urbanas, da Associação Guajiru, uma ONG criada por Valdi Silva Moreira e pelo casal de biólogos Douglas Zeppelini e Rita Mascarenhas.

Informalmente, o projeto começou em 2001, quando Valdi descobriu vários ninhos de tartaruga na areia. Querendo proteger os ovinhos, porém sem ter qualquer conhecimento sobre o assunto, ele entrou em contato com o Projeto Tamar de Fernando de Noronha. “Não sabia nada sobre as tartarugas. Então, toda hora ligava para lá, pedindo para o pessoal me orientar”, recorda ele. “Comecei protegendo os ninhos com cercas. Depois disso, nunca mais parei”, conta.

A tarefa não é fácil. A partir de setembro, quando começa o período da desova – sobretudo da tartaruga pente (a mais comum que surge naquelas paisagens, embora por lá também apareçam a verde e a oliva) – todos os dias às 6 horas, Valdi sai em peregrinação pelas areias em busca de rastros de tartaruga. Após encontrar os ninhos, o primeiro passo é cercá-los, impedindo que os ovinhos sejam pisoteados ou esmagados por bicicletas.

“Em média, uma tartaruga faz de três a cinco ninhos, depositando aproximadamente 150 ovos em cada um deles, num total de cerca de 750 ovinhos. No entanto, infelizmente apenas um filhotinho de cada ninho sobrevive”, diz Valdi.  “Geralmente, as tartarugas vivem 100 anos”, acrescenta a bióloga Rita Mascarenhas. “Por aqui, já conseguimos auxiliar na desova e conduzir para o mar mais de 93 mil tartaruguinhas. Nossa média de sobrevivência é de 50%, enquanto essa média mundial é de 20%”, orgulha-se ela.

O monitoramento de ninhos e a desova assistida (a equipe também fica atenta à eclosão dos ovos, às vezes antecipando-a, a fim de impedir que a tartaruguinhas nasçam à noite e caminhem em direção oposta ao mar, rumando para claridade das luzes da avenida, onde morrem atropeladas) é trabalho árduo e que exige muito amor e respeito à natureza e uma dose ainda maior de dedicação.

Sem qualquer apoio governamental ou da iniciativa privada, a ONG sobrevive apenas com o auxílio de uns poucos voluntários e da comercialização de artesanato e camisetas. Apesar disso, de segunda a sexta-feira, das 8 horas às 11 horas, os biólogos Douglas e Rita se revezam nas aulas gratuitas de educação ambiental ministradas a “crianças” de todas as idades, de 3 a 100 anos. Ao lado de Vadi, eles também dão orientação e refeições a algumas crianças pobres do bairro.

Situada próxima a uma das regiões mais carentes de João Pessoa, a ONG procura impedir que as crianças do bairro se tornem futuros marginais. “Gostaríamos de poder ajudar um número maior de meninos, mas temos poucos recursos e nenhum apoio financeiro de empresas ou de órgãos governamentais”, afirma Rita. A bióloga acrescenta que ali toda e qualquer ajuda é muito bem-vinda, do trabalho voluntário e doação de livros (no local funciona uma pequena biblioteca), alimentos e bens em geral até o auxílio financeiro. 

De volta às raízes

Depois de ter visto o trabalho da ONG (a equipe permanentemente cuida de uma tartaruga – chama-se Olívia – que não pode ser devolvida para o mar porque não sobreviveria), volte ao centro de João Pessoa. Nele existem muitas opções culturais, como a Casa do Artista Popular, que reúne objetos produzidos por artesões de diferentes regiões da Paraíba. No centro histórico da terceira cidade mais antiga do Brasil – foi fundada em 1585 – confira a arquitetura colonial dos antigos casarões. Veja ainda construções barrocas como o Theatro Santa Roza, a Igreja Nossa Senhora do Carmo, a Igreja de São Francisco e confira exemplos de arquitetura típica do século 19, como o Casarão dos Azulejos.

Por último, vá ao antigo Hotel Globo, onde a cidade nasceu. Construído em 1929, a edificação hoje abriga o Consulado da Espanha. Ali, reserve um tempinho para olhar o rio Sanhauá e o verde de suas margens contornando os prédios históricos. Em sua estadia em João Pessoa, também não deixe de ir ao mercado e à feirinha de artesanato, em Tambaú. Nesse bairro, também visite a Koisas do Sertão, uma loja especializada em doces, salgados e bebidas típicos da Paraíba.

Se mesmo com tantas belezas paradisíacas, você ainda quiser mais, contrate um tour para outros Estados. Atualmente, muitos hotéis (o Tropical Tambaú é um deles) oferecem pacotes de um dia para cidades de dois Estados com os quais João Pessoa faz divisa – Natal (RN) e Recife (PE), Olinda (PE) e Ilha de Itamaracá (PE), que se situam, respectivamente, a 185 e 110 quilômetros da capital. Também Fortaleza (CE) e o Oceano Atlântico são os outros limites geográficos da Paraíba. Porém, Fortaleza está a 688 quilômetros de distância de João Pessoa. Daí a razão desses pacotes de um dia não serem feitos para lá.

Depois de tudo isso, duvido que você não tenha se apaixonado pela capital paraibana e por sua gente. Infelizmente, chegou a hora de ir embora. Antes de partir, vá a Ponta do Seixas, o ponto mais próximo da África e por isso onde o sol nasce primeiro nas Américas. Se dê de presente, e leve em sua memória um dos mais inesquecíveis cartões-postais da terra do sol nascente: sente-se e veja o astro rei despontar no horizonte e lentamente ir banhando as águas do Oceano Atlântico com seus raios rosas, alaranjados e amarelos, tingindo a imensidão do mar que se estende à sua frente de cores multicoloridas. A paisagem é um brinde à natureza e à vida. Simplesmente inesquecível!   

Para saber mais

Site: http://www.joaopessoa.pb.gov.br

Bar do Surfista: http://www.bardosurfista.blogspot.com

Projetos Tartarugas Urbanas e SOS Tartarugas: tel. para informações e emergências (83) 9129-7496.

Serviço

Onde ficar:

Tropical Tambaú – Av. Almirante Tamandaré, 229, Tambaú, tel. (83) 2107-1900, site: www.tropicaltambau.com.br.

 

Onde comprar

Koisas do Sertão – Comercializa cachaças paraibanas e ingredientes da culinária sertaneja. Entre eles, queijo de coalho, carne-de-sol, goma, rapadura, castanhas, manteiga de garrafa, mel de engenho e doces como o de buriti, carolina (coco branco e queimado), alfenim e sorda, uma espécie de pão de mel com rapadura. Av. Senador Rui Carneiro, 146, Tambaú. Tel.: (83) 3247-3317.

A Casa do Artista Popular – Reúne o que há de mais representativo de todas as tendências (e regiões) do universo criativo do artesanato paraibano, de objetos de barro, palha, fibra, madeira, couro até os produzidos com jornal, corda e sementes. Praça da Independência, 56, Centro. Tel.: (83) 3221-8852.

Mercado de Artesanato Paraibano – Muitas de suas 130 lojinhas comercializam peças produzidas com um dos carros-chefes do artesanato paraibano: algodão geneticamente colorido, nas cores verde, marrom e bege. Independentemente da cor, o algodão é matéria-prima da confecção de redes, bolsas, roupas, jogos americanos, tapetes e mantas, entre outras. Mas ali há muito mais para se ver (e comprar), desde castanhas e cachaças a esculturas de barro e de madeira, literatura de cordel e xilogravuras, passando pelas camisetas, chaveiros e outros pequenos mimos para dar de presente. Av. Senador Rui Carneiro, 245, Tambaú.

Feirinha de Artesanato – Fica na frente do Hotel Tropical Tambaú e oferece os mesmos produtos comercializados no Mercado de Artesanato, mas, em alguns casos, com melhores preços.

~ por Fabíola Musarra em Setembro 22, 2010.

7 Respostas to “João Pessoa – Paraíso de belezas naturais”

  1. Fá parabéns pelo trabalho cada vez mais lindo.
    Adoro ler suas postagem são completas de informações ,preciosass.
    Bjusss stefani sua fã!!!!!!

    • Sempre é muito legal saber que você acompanha o meu trabalho. Graças a opiniões como a sua, meu blog tem crescido (felizmente) de modo assustador (rsrsrsrsr….), embora eu não o divulgue.
      Obrigada mesmo pelo seu comentário e, sobre tudo, pelas palavras carinhosas.
      Bjs

  2. Conhecido simplesmente como “Lagoa”, o Parque Sólon de Lucena é um dos recantos mais bonitos de João Pessoa, com belos jardins, lagoa e grande espelho d’água cercado por palmeiras imperiais.

    Verdadeiro cartão postal no centro da cidade, o parque traz muito verde, árvores frondosas e barraquinhas de alimentação. Em volta do parque têm as lojas e supermercados mais importantes da cidade e do Estado. No parque também têm pontos de ônibus, cassinos, hoteis, bancas de revistas e vários prédios importantes …

  3. Conhecido simplesmente como “Lagoa”, o Parque Sólon de Lucena é um dos recantos mais bonitos de João Pessoa, com belos jardins, lagoa e grande espelho d’água cercado por palmeiras imperiais.

    Verdadeiro cartão postal no centro da cidade, o parque traz muito verde, árvores frondosas e barraquinhas de alimentação. Em volta do parque têm as lojas e supermercados mais importantes da cidade e do Estado. No parque também têm pontos de ônibus, cassinos, hoteis, bancas de revistas e vários prédios importantes …

  4. João Pessoa tem tantas maravilhas, que não cabem em um só post de blog, mas o seu resumiu a maioria, parabéns

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