Natal brilha o ano todo

Berço do folclorista Luís da Câmara Cascudo, a capital do Rio Grande do Norte é muito mais que dias de sol e agito para todos os gostos. Moderna e cheia de charme, reúne belezas naturais e o pulsar alegre de sua gente, o que faz toda a diferença

Por Fabíola Musarra

Lamberto Scipione

Nem bem o avião pousa no aeroporto, o ar quente, o Sol forte e o céu intensamente azul confirmam que Natal, no Rio Grande do Norte, é dona de uma merecida fama: é um pequeno paraíso onde o astro-rei impera nos “400 dos 365 dias do ano”, como brincam os natalenses. De fato, a capital do Estado é conhecida como Cidade do Sol, mas ela é muito mais do que tempo bom o ano inteiro: charmosa, transborda simpatia cujas porções podem ser saboreadas em cada uma de suas ruas e esquinas, em seus barzinhos, nas exuberantes praias e lagoas que se espalham pelos 400 quilômetros da costa potiguar, em suas dunas de areia branquinhas e em qualquer cantinho que se vá.

Também lembrada como Esquina do Continente, Capital Mundial do Bugue, Terra do Camarão e cidade onde o forró nasceu, Natal tem pouco mais de 800 mil habitantes, mas sua moderna infraestrutura hoteleira está acostumada a acolher mais de 2 milhões de turistas por ano, vindos das mais variadas partes do Brasil e do mundo.

Arrojados hotéis e resorts espalham-se em um dos lados da Via Costeira, mas nenhum deles pode ultrapassar uma determinada altura, conforme prevê uma rígida lei municipal. Inaugurada em 1985, essa extensa avenida de mais de dez quilômetros une esses empreendimentos às praias centrais e a Ponta Negra. No outro lado da Via Costeira fica o Parque das Dunas, um patrimônio natural tombado pela Unesco, que é também o segundo maior parque florestal urbano do País.

A encantadora capital do Rio Grande do Norte também abriga vários marcos históricos. É o caso do Forte dos Reis Magos, erguido no século 17, a partir do qual a cidade se expandiu. Cartão-postal de Natal, a fortaleza em formato de estrela fica nas proximidades do encontro do Oceano Atlântico com o Rio Potengi, sobre arrecifes. Só pelo cenário, a visita já é obrigatória.

Por falar no rio, por suas águas deslizam desde rústicas embarcações de pescadores em busca de seu sustento até imponentes navios nacionais e do Exterior, que rumam em direção ao porto ali situado ou fazem o percurso oposto, num incessante vaivém.

Parte da história de Natal pode ser testemunhada já às margens do Potengi, nos bairros das Rocas, da Ribeira e da Cidade Alta, onde antigos casarões lembram os tempos da Segunda Guerra Mundial, quando a cidade acolheu tropas aliadas, vindas dos Estados Unidos, em direção ao front na Europa. Devido a sua privilegiada localização geográfica – é a capital brasileira mais próxima do continente europeu -, foi classificada como “um dos quatro pontos mais estratégicos do mundo” pelo Departamento de Guerra dos Estados Unidos, ao lado de Suez, Gibraltar e Bósforo.

A PRESENÇA DOS ALIADOS, SOBRETUDO DOS NORTE-AMERICANOS, MODIFICOU O DESTINO DA CIDADE. ALÉM DOS SEUS COSTUMES, ELES TROUXERAM NOVOS PRODUTOS – NATAL FOI O PRIMEIRO MUNICÍPIO BRASILEIRO A CONHECER O CHICLETE E A COCA-COLA

Também foi em uma construção militar situada nessa região que aconteceu o encontro histórico dos ex-presidentes do Brasil, Getúlio Vargas, e dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, em 1943. Eles selaram ali um acordo para a construção de uma base aérea e naval, local de onde as tropas partiam para o patrulhamento, para as batalhas em defesa do Atlântico Sul e para campanhas militares no norte da África. A presença dos aliados, sobretudo dos norte-americanos, modificou o destino da cidade. Além de seus costumes e valores, eles trouxeram novos produtos – Natal foi a primeira cidade brasileira a conhecer o chiclete e a Coca-Cola.

Na Praça André de Albuquerque, na Cidade Alta, e em seus arredores, situam-se a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, a padroeira da cidade, e a coluna capitolina doada pelo ditador italiano Benito Mussolini. Batizado com esse nome porque é originária do Monte Capitólio, em Roma, o monumento foi considerado um símbolo fascista em diversas ocasiões. Tanto é que em 1935, durante a Intentona Comunista, chegou a ser derrubado. Também faz parte do centro histórico um museu dedicado a um dos filhos mais famosos da cidade: Luís da Câmara Cascudo, considerado um dos maiores estudiosos da cultura brasileira.

Mas é claro que a maioria dos turistas não chega a Natal apenas para conhecer a sua história. De longe ou de perto, vêm para aproveitar uma das coisas que a cidade tem de melhor: as belíssimas praias – as do Forte, do Meio, dos Artistas, Areia Preta e Ponta Negra são algumas das que banham a capital. Ponta Negra, por sinal, é o point onde tudo acontece. Barzinhos, restaurantes, shopping e outras baladas agitam a noite (e o dia) da praia, que é também um bairro. Com cerca de quatro quilômetros de extensão, tem um atrativo extra: em seu extremo sul fica o Morro do Careca, um dos mais tradicionais pontos turísticos de Natal.

Distante uns dez quilômetros de Ponta Negra, em direção ao norte, fica a Praia do Meio, que é mais frequentada por moradores da região. Com ondas maiores que as de Ponta Negra, a Praia dos Artistas é a preferida dos surfistas. Também é nela que acontece a Feirinha de Artesanato, uma das várias que se multiplicam pela cidade. Quem se hospeda na Ponta Negra tem a vantagem de ficar mais pertinho de Parnamirim, município vizinho ao sul de Natal.

Parnamirim abriga o Centro de Lançamento Barreira do Inferno (CLBI), assim batizado por antigos pescadores que, ao saírem para pescar ao amanhecer, tinham a impressão de que a região estava em chamas. No entanto, não havia incêndio algum, mas apenas uma ilusão de ótica criada pelos raios do sol que incidiam sobre a falésia. Mais conhecido como Barreira do Inferno, o CLBI é uma organização do Comando da Aeronáutica, subordinado ao Departamento de Pesquisas e Desenvolvimento. Devido às operações da primeira base de foguetes da América do Sul e às atividades de lançamento e rastreamento de engenhos aeroespaciais que ali acontecem, Natal também é chamada de Capital Espacial do Brasil.

Pouco adiante do CLBI, em Pirangi, fica o maior cajueiro do mundo, com mais de 8.400 metros quadrados (a área que ocupa equivale a um conjunto de 80 árvores de porte normal). Para se ter uma ideia, a árvore é tão grande que entrou para o Guinness Book, em 1994. Com aproximadamente 110 anos, o pé gigante que não para de crescer produz até três toneladas de caju por safra. Quem visita o local tem direito a caminhar debaixo de sua sombra, testemunhando os galhos que brotam da terra e animais que desfilam sobre eles, como o sagui. Se a árvore estiver com frutos, o visitante pode saboreá-los à vontade.

Em frente ao maior cajueiro do mundo, o turista pode embarcar para um passeio de barco, na Marina Badauê, onde também funcionam bar, restaurante e lojinhas de artesanato. Os passeios duram em torno de duas horas e dão direito a uma parada para mergulho nas piscinas naturais de Pirangi. Para chegar até elas, é necessário caminhar pelos arrecifes, o que exige uma sandália com solado de borracha. O par delas pode ser “alugado” no barco, assim como a máscara para mergulho.

EM PIRANGI, FICA O MAIOR CAJUEIRO DO MUNDO, QUE OCUPA MAIS DE 8.400 METROS QUADRADOS E ENTROU PARA O GUINNESS BOOK EM 1994

Depois disso, nada melhor do que saborear uma refeição no Paçoca de Pilão, onde a comida típica e bem caseira é imperdível. De volta a Natal, partindo-se no sentido inverso, em direção ao Norte, obrigatório é o passeio de bugue pelas dunas móveis e fixas até Jenipabu (com “J”, como afirma Câmara Cascudo), que pode ser regado a mais ou menos emoção, dependendo de quanto o passageiro é adepto de aventuras radicais e curte ousadas manobras feitas pelo bugueiro nas dezenas de encostas de areias branquinhas.

Distante 20 quilômetros de Natal, a Praia de Jenipabu é a primeira parada dos bugueiros. Em seguida há mais emoções pelas dunas e uma nova pausa para quem deseja andar de dromedário (o passeio demora meia hora e a cadeira no dorso do animal custa R$ 30). O bicho é muito alto e subir, descer e andar sobre ele é, no mínimo, exótico.

De volta ao bugue, memoráveis paisagens se revezam no horizonte, a maioria delas acompanhada pelo turquesa das praias que desfilam diante do olhar. Nova parada, dessa vez para um imperdível banho na límpida e calma Lagoa de Pitangi (o acesso até ela é feito via balsa no Rio Ceará-Mirim). Repleta de peixinhos, é o paraíso para quem não quer fazer nada: fica entre dunas, tem barzinhos e quiosques com mesas dentro da água, aluguel de pedalinhos e caiaques.

O próximo stop antes do retorno a Natal é a Praia de Jacumã. Nela, fica o Restaurante Naf Naf, com sua gastronomia à base de frutos do mar. No local também funciona uma loja de artesanato, que reúne obras de artesãos de diferentes Estados brasileiros. Tanto na ida quanto na volta do passeio há os pitorescos aerobunda e esquibunda, diversões para quem quer cair de bunda (pelo ar ou por terra) na água das lagoas que salpicam pelo caminho.

Com privilegiada beleza, não é à toa que Natal é um dos destinos turísticos mais procurados no Brasil, só perdendo para Porto Seguro, na Bahia. Quem conhece a capital detentora do “ar mais puro” das Américas se apaixona à primeira vista e, nem bem vai embora, já fica sonhando com a hora de voltar para rever o maior cajueiro do mundo, o artesanato, as praias paradisíacas, o mar, as lagoas e dunas com seus incontáveis atrativos. Não há como esquecer, sobretudo, o povo potiguar, de sorriso sempre estampado na face e com um enorme coração, onde sempre há um pedacinho para se aconchegar.

A FUNDAÇÃO
Natal tem este nome porque foi fundada no dia 25 de dezembro de 1599, dois anos depois de iniciada a construção do Forte dos Reis Magos, que selou o acordo de paz com os índios potiguares e devolveu em definitivo as terras aos portugueses, com a expulsão dos invasores franceses. O seu principal marco arquitetônico de fundação é a Igreja Matriz, na Praça André de Albuquerque, de onde a cidade começou a se expandir urbanamente. Durante o primeiro período colonial, a pecuária era o ponto forte da economia local, o que atraiu a atenção dos holandeses que haviam dominado a região da então capitania de Pernambuco, em 1630. Em 1633, os holandeses invadiram Natal, que passou a se chamar Nova Amsterdã, enquanto o Forte dos Reis Magos foi rebatizado de Castelo Keulen. O domínio holandês continuou até 1654, quando os holandeses foram expulsos da região.

A LENDA
Segundo uma lenda narrada no livro História da Cidade de Natal, do escritor Luís da Câmara Cascudo, no dia 21 de novembro de 1753, alguns pescadores encontraram um caixote boiando nas águas do Rio Potengi, encalhado na pedra do Rosário. Ao abrirem a caixa, eles acharam uma estátua de Nossa Senhora do Rosário com a seguinte mensagem: “Onde esta imagem aportar, nenhuma desgraça acontecerá.” Por ter sido encontrada no dia em que a Igreja Católica celebra a apresentação da Virgem no Templo, a imagem foi batizada como Nossa Senhora da Apresentação, tornando-se a padroeira da cidade. Uma curiosidade: Natal, de fato, jamais passou por alguma tragédia. Nem mesmo durante a Segunda Guerra Mundial, quando os alemães, às portas do porto de Dacar, na África, ameaçavam a cidade.

SERVIÇO

Onde ficar:

Pirâmide Natal Resort & Convention, Av. Senador Dinarte Mariz, 1.717, Parque das Dunas, Via Costeira, tel. (84) 4009-9403,
site http://www.piramidenatal.com.br

Onde comer:

Tábua de Carne, Av. Engenheiro Roberto Freire, 3.241, Via Costeira. Tel. (084) 3202-5838,
site: http://www.tabuadecarne.com.br

Como o próprio nome sugere, a especialidade do restaurante é carne de sol à moda da casa (carne de sol na brasa, arroz, feijão-verde, macaxeira, paçoca, pirão de queijo e vinagrete), mas também oferece frutos do mar e peixes.

Naf Naf, Praia de Jacumã, Litoral Norte, tel. (084) 3228-2228,
site http://www.nafnaf.com.br

O ponto alto são os frutos do mar, preparados dos mais variados e saborosos jeitos.

Paçoca de Pilão, Av. Deputado Márcio Marinho, 5.708, Praia de Pirangi, Parnamirim, tel. (084) 3238-2088,
site http://www.pacocadepilao.com.br

O prato Paçoca de Pilão (carne de sol batida no pilão com farinha, mandioca, feijão-verde, arroz e banana) há mais de 20 anos é o carro-chefe da casa, atraindo diariamente dezenas de fãs da tentação gastronômica.

 

Quem leva:

Gol Linhas Aéreas Inteligentes – Site: www.voegol.com.br

~ por Fabíola Musarra em Maio 6, 2010.

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