Mata Atlântica – Viagem pela história e natureza

Lançado em 2009 pelo Sebrae-SP e o Santos e Região Convention & Visitors Bureau, o roteiro explora as belezas naturais e o passado colonial do Litoral Sul de São Paulo

Por Fabíola Musarra

Dona de exótica beleza, a região metropolitana da Baixada Santista é, por si só, um dos privilegiados cartões-postais do Estado de São Paulo. As cidades que a integram – Guarujá, Bertioga, Cubatão, Santos, São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe – conciliam história e modernidade com um incontável número de atrações turísticas e a hospitalidade de sua gente. Não é só. Abriga em seu solo a Mata Atlântica, um dos ecossistemas mais importantes do mundo. Por tudo isso e por muito mais, o Sebrae-SP e o Santos e Região Convention & Visitors Bureau acabam de lançar o Circuito da Costa da Mata Atlântica: três invejáveis roteiros abrangendo esses municípios.

Localizadas a aproximadamente uma hora da capital paulista e situando-se bem pertinho uma das outras, as nove cidades permitem que você se hospede em uma delas, indo conhecer as demais, numa viagem de poucos dias, mas de inestimável aprendizado. Para dar uma idéia, juntos, esses municípios abrigam nada menos que 390 atrativos turísticos naturais e culturais. Passear por eles é viajar ao passado, desvendando as nossas raízes históricas e um dos mais exuberantes tesouros de belezas naturais do País.

Para aproveitar bem o tempo e explorar melhor a região, escolha o seu roteiro. Planeje sua viagem e pé na estrada. Caso disponha de dez dias, o “Histórico e Cultural” é uma ótima pedida. Se não tiver tanto tempo, faça o “Ecológico e Rural”, de cinco dias. Para os apaixonados por ciência e meio ambiente, a opção é o “Científico e Ambiental”, de um dia. Nada impede, porém, que você percorra todas essas rotas, verdadeiras aulas sobre a imensa diversidade e riqueza de nosso País.

Se você escolheu o primeiro roteiro, comece o passeio por Bertioga, onde ficará um dia. A Aldeia Indígena Rio Silveiras é uma das pitorescas atrações da cidade. Situada na Boracéia, entre as cabeceiras dos rios Silveiras e Vermelho, na divisa com São Sebastião, permite o contato com os cerca de 400 índios guaranis que hoje ali vivem, conferindo de perto a cultura e como vive um dos mais antigos habitantes do Brasil.

Em seguida, dê um pulinho até a Vila Itatinga, no sopé da Serra do Mar. Lá, além da hidrelétrica, você se encantará com as casas em arquitetura inglesa do século 19. Caminhar pelas ruas por onde elas se espalham é conhecer um pouco do passado dos imigrantes que ajudaram a desenhar o Brasil.

 

Depois da lição de história, fuja para o futuro e vá até a Riviera de São Lourenço. Com uma área de 9 milhões de m2, é considerado o maior e mais moderno projeto de desenvolvimento urbano do litoral brasileiro. Se o assunto é arte, vá à Casa da Cultura, um espaço com exposições de artistas plásticos locais e de artesanato. Depois siga até o Forte São João. Fundado em 1532/1547, é o mais antigo do Brasil e o melhor preservado entre todos os que foram tombados pelo Governo do Estado de São Paulo.

Se der, fique um pouco mais em Bertioga e conheça a Igreja Matriz de São João e o Parque Tupiniquins. Neste último, a visita monitorada por indígenas permite conhecer a estátua do cacique Cunhambebe, responsável por selar a paz entre índios e portugueses na época da colonização. Diga adeus à cidade e vá descansar para a atração do segundo dia: o Guarujá.

Coloque um tênis e roupas confortáveis – não se esqueça do boné, óculos e protetor solar. Depois, dirija-se à região conhecida como Rabo de Dragão, preparando-se para fazer uma inesquecível caminhada à Ermida de Santo Antônio do Guaibê e ao Forte São Luís. Na primeira, conheça as ruínas de construção colonial em pedras e sambaquis de 1563/1565. No Forte confira as muralhas da edificação erguida em 1557 e reformada em 1798. Os dois passeios são feitos pela trilha calçada da Praia Branca. Com portaria, ela tem corrimão em quase todo o trajeto e é sinalizada.

Vá para a Enseada e conheça as 300 espécies que vivem no Aqua Mundo e o Teatro Procópio Ferreira, que funciona como uma escola de artes e sempre tem exposições. Já em Pitangueiras, veja dois marcos históricos da cidade: a réplica do carro fúnebre usado no cortejo de Santos Dumont e a Maria Fumaça. A primeira é uma relíquia em madeira de 1924, enquanto a antiga locomotiva que ligava São Vicente de Carvalho ao Guarujá foi desativada em 1956.

Não vá embora sem conhecer a Fortaleza da Barra Grande. Edificada em 1584 e desativada em 1911, ocupa um esporão rochoso e foi projetada sobre o canal de acesso ao estuário ao maior porto da América Latina. Para sua sorte, o acesso à fortificação é por Santos, onde você ficará nos próximos quatro dias. Numa das cidades mais antigas do Brasil (seu povoamento começou por volta de 1540), você vai comprovar como o passado deixou seus traços em casarões, museus e igrejas.

No primeiro dia, percorra alguns dos importantes espaços da cidade: os museus do Mar (tido pela comunidade científica como um dos mais atuais da América Latina), Marítimo (mostra a história de vários naufrágios, desde o século 17), do Esporte De Vaney (resgata a memória esportiva de Santos) e o de Pesca. Visite ainda as mais de 200 espécies de água doce e salgada o Aquário Municipal, o acervo da Pinacoteca Benedicto Calixto e o Orquidário, um parque zoobotânico de 22 mil m2 decorado por lindos jardins e matas naturais. Fundado em 1945, possui uma estufa com vários exemplares de diferentes espécies de orquídeas.

No dia seguinte, conheça o Memorial das Conquistas do Santos Futebol Clube, no estádio do clube, na Vila Belmiro; e o Memorial Necrópole Ecumênica, que entrou no Guinnes Book, o livro dos recordes, por ser o cemitério vertical mais alto do mundo. Não deixe de ir às ruínas do Engenho São Jorge dos Erasmos, erguido em 1533. Vá até o Teatro Brás Cubas

Depois visite dois espaços que homenageam Patrícia Galvão, a Pagu da Semana de Arte Moderna de 1922: o Centro de Cultura Patrícia Galvão e na Oficina Cultural Pagu, que funciona na Casa de Câmara e Cadeia, um prédio de 1839. Imperdível também é o Mosteiro de São Bento. Suas paredes de 90 cm, cobertas de argamassa de cal de sambaqui de 1650 abrigam o Museu de Arte Sacra e seu valioso acervo de cerca de 400 peças, entre elas a imagem de Santa Catarina de Alexandria do século 16.

No terceiro dia, vá passear em Monte Serrat, cujo acesso ao topo é feito por um bondinho ou pela escada de 415 degraus. Lá do alto, você vai ver Santos, Guarujá, Cubatão, São Vicente e a Praia Grande. E se é para ver a cidade com diferentes olhares, vá ao Complexo Cultural do Porto de Santos (guarda toda a documentação e imagens da história do lugar) e ao Outeiro de Santa Catarina, o marco inicial da povoação da cidade onde hoje funciona a Fundação Arquivo e Memória de Santos, que preserva a memória não edificada da cidade.

Outras atrações de Santos são o Teatro Coliseu (inspirado na arquitetura italiana e construído em 1896), o Instituto Histórico e Geográfico e a Casa do Trem Bélico. Construída no século 17, guardava as munições de artilharia que abasteciam quartéis e fortes. Em uma caminhada pelo interior do Mercado Municipal, confira os produtos que integram a gastronomia local, num desfile de cores e sabores de dar água na boca. Coma algo e vá descansar para o seu último dia na cidade, quando percorrerá o seu centro histórico.

Compreendido pelo quadrilátero entre as ruas São Bento, São Francisco, Constituição e o cais do Porto, o lugar abriga em suas praças, ruas e vielas, antigos prédios como o Pantheon dos Andradas. Construído em 1923 ao lado do Conjunto do Carmo, guarda o jazigo de José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência, e o de seus irmãos, além de quadros em bronze com cenas da história do Brasil e inscrições de frases dos irmãos Andradas.

Em seguida, dirija-se ao Palácio José Bonifácio. Construído nos anos 30, é a atual sede do Paço Municipal. Ainda no centro, visite o WTC, o prédio de 1909 onde funcionava a Bolsa de Valores, e a Associação Comercial, que preserva importante documentação do ciclo do café. Por falar nisso, não deixe de ir à Bolsa Oficial do Café. Nela, fica o Museu dos Cafés do Brasil, cujo interior se mantém como na década de 20. Ainda hoje, Santos tem o maior porto exportador de café do Brasil e do mundo, responsável pelo movimento de 80% da safra nacional. Por isso, não deixe de provar uma das versões do café tipo exportação oferecidas na cafeteria do museu.

Depois conheça a Estação Ferroviária do Valongo, também chamada de Ferrovia dos Ingleses, datada de 1867. Por último, dê um passeio no Bonde Turístico. Construído na década de 20, ele parte do centro e passeia pelas ruas e edifícios do centro histórico. Também é daí que sai Linha Conheça Santos, um ônibus percorre não somente o centro, mas os principais pontos turísticos de Santos.

Hora de partir para Cubatão. A região onde está instalada esse importante polo industrial guarda várias relíquias do período da colonização. Lá, visite o Caminho do Mar. Calçado com macadame em 1913 e asfaltado com concreto entre 1920 e 1925, durante três décadas foi o principal acesso ao Litoral Sul. Também a Calçada da Lorena, o Pouso de Paranapiacaba e Rancho da Maioridade merecem atenção: foram, respectivamente, a primeira estrada pavimentada do Brasil, o ponto de parada dos carros durante a viagem e a área de descanso e reabastecimento entre São Paulo e Santos.

Como eles, o Belvedere Circular também foi outro ponto de parada obrigatório na Serra, funcionando como um mirante de observação da paisagem nativa. Ainda em Cubatão, visite o Cruzeiro Quinhentista, um monumento alusivo à chegada dos portugueses no litoral vicentino.

Se não estiver cansado, siga para São Vicente. Lá, ande no primeiro teleférico do Brasil e vá a Casa Martim Afonso de Souza, a antiga fortaleza de pedra onde o português morou de 1532 a 1533. Dê um pulo até o Memorial 500 Anos projetado por Oscar Niemeyer, um mirante de onde se tem uma visão panorâmica das praias de São Vicente e Santos. No Morro dos Barbosa, visite a biquinha de Anchieta, que foi construída em 1553, com a vinda dos jesuítas. Vale a pena conhecer também o Parque Cultural Vila de São Vicente, que ocupa toda a Praça João Pessoa, no centro.

No nono dia do roteiro, percorra os municípios de Praia Grande, Mongaguá e Itanhaém. Comece pela primeira cidade visitando a Fortaleza de Itaipu, no morro de mesmo nome. Além do espetáculo à parte dado pela Mata Atlântica, o local abriga os fortes Duque de Caxias, Jurubatuba e Rego Freitas, marcos da engenharia militar. Em Mongaguá, vá ver a imagem de Nossa Senhora Aparecida, que do alto do morro protege a orla marítima da cidade.

Pouco mais adiante, Itanhaém preserva em seu centro o Convento Nossa Senhora da Conceição, a Igreja Matriz (de 1563) e a Casa da Câmara e Cadeia, que foi construída no século 16 e onde hoje funciona um espaço cultural. Já para conhecer o convento suba o morro atrás da praça e veja a ermida dedicada à santa erguida em 1532, data de fundação do município.

Seguindo a passarela da Praia dos Sonhos, você chegará à cama de pedra onde dormia o padre José de Anchieta, na época da catequização dos índios. Dizem que era dali que o jesuíta encontrava inspiração para escrever seus poemas. O Monumento Mulheres de Areia, na Praia dos Pescadores, é uma das esculturas mais visitadas de Itanhaém. Foi neste local que ocorreram as gravações da novela transmitida pela extinta TV Tupi de São Paulo.

Siga para Peruíbe, onde terminará a sua viagem. No trajeto, repare nas lindas paisagens que desfilam diante do olhar e pare no Mirante da Torre, um posto de observação de onde você vai se extasiar com a Mata de Restinga, num paradisíaco cenário que se estende da orla da praia até o Parque Estadual Serra do Mar. Inclua em seu passeio o Parque Turístico da Lama Negra e o Museu de História e Geografia. Na estrada do Guaraú, vá até o Chão de Pedra, um ateliê que faz parte do roteiro ufológico nacional. Também visite a Colônia Veneza, onde está a primeira capela com interior totalmente em mosaico do Brasil. Nas ruínas do Abarebebê, veja os vestígios das primeiras igrejas jesuítas no País.

Essa região, porém, não se restringe só a essas sugestões. Além delas, muitas outras atrações podem fazer parte de sua viagem, incluindo trilhas, canoagem, pesca e banhos de cachoeira e de mar. Vale lembrar que o Oceano Atlântico, com seus caprichosos vaivéns, desenha paisagens únicas neste pedacinho da Mata Atlântica, um dos principais berços da colonização de nosso País.

AS OUTRAS OPÇÕES

Com cinco dias de duração, o segundo roteiro privilegia os amantes da natureza. Começa em Bertioga e depois segue para as cidades de Santos, São Vicente, Cubatão, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. Em todas elas, as sugestões retratam o Brasil “rural”, mostrando parques ecológicos e sedes das antigas fazendas que ali ficavam nos tempos da colonização.  Já quem gosta de ciência e meio ambiente há a visita de um dia a Cubatão. O município que tempos atrás chamou a atenção do mundo pelo alto índice de poluição e pelo catastrófico incêndio que devastou a Vila Socó, um de seus bairros, hoje, é reconhecida internacionalmente como a primeira cidade em termos de qualidade de vida, comprovando que é possível a convivência saudável entre a indústria e a natureza.

~ por Fabíola Musarra em Março 24, 2010.

Uma resposta to “Mata Atlântica – Viagem pela história e natureza”

  1. Oi fá que saudades de você,lindo seu blog.bju stefani

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