Piracicaba – São Paulo

Piracicaba

Santuário ecológico

Dona de um rio famoso e bonita por natureza, a cidade do interior de São Paulo concilia o jeito caipira de ser com o arrojo de seu desenvolvimento agroindustrial, mas o município tem muita história para contar, inclusive de pescadores

 Por Fabíola Musarra

Com quase 370 mil habitantes, Piracicaba é uma das cidades mais versáteis de São Paulo. Embora tenha acabado de completar 242 anos, continua jovem e sedutora: concilia incontáveis atrativos turísticos e a simplicidade da vida do interior à modernidade de constituir-se num importante polo agroindustrial e num centro de educação de ponta (possui nove faculdades, entre elas a Esalq, a mais antiga escola superior de agronomia do País). Tudo supervisionado de perto pela exuberância do majestoso afluente do rio Tietê, o rio Piracicaba, que banha o município.

Com 62 bairros, a cidade também conserva suas tradições históricas, folclóricas e culturais. Caso do bairro de Monte Alegre. Nascido a partir de uma vila de colonos italianos, abriga as remanescentes casas onde viviam aqueles imigrantes que trabalhavam na usina de cana-de-açúcar local, um dos mais importantes empreendimentos da história da produção açucareira do Estado: a Companhia União dos Refinadores, do Açúcar União. Fundada em 1910 pelo italiano Pedro Morganti em sociedade com José Pugliesi, foi vendida na década de 70 e processou sua última safra de açúcar em 1981.

Distante 12 quilômetros do centro, Monte Alegre transpira ruínas de galpões, chaminés e a memória daquela época. Também é ali que fica a capela São Pedro. Projetada em 1930 e inaugurada pouco depois, a réplica de uma igreja existente em Siena (Itália) atrai visitantes interessados em conhecer a obra de Alfredo Volpi – todos os seus afrescos são assinados pelo pintor pós-modernista. Como é propriedade privada, é preciso a autorização do dono para conhecer o interior da capela. O Casarão do Turismo pode facilitar esse contato, tel. (19) 3422-5115.

O posto de informações turísticas, aliás, fica num badalado point da cidade: a rua do Porto, que acompanha os caprichos da orla do Piracicaba (o rio, aliás, ainda continua sendo uma fonte de renda para os pescadores que vivem na região). Em seus 800 metros, o calçadão abriga vários restaurantes e bares. Além do famoso peixe no tambor que ali é oferecido, o ponto alto do lugar são as casas construídas por pescadores. Todas foram restauradas e ganharam novas cores, mais ainda preservam o charme de seu antigo estilo.

Na outra margem do rio ficam o Parque do Mirante e o Engenho Central. O primeiro é um lugar privilegiado para se observar o rio, o salto, a rua do Porto e a cidade. Suas alamedas permitem passeios pelo bosque, formado por árvores nativas e vegetação típica. Já o segundo é um conjunto arquitetônico de 1881, com 80 mil m2 de muito verde. Seus 12 mil m2 de área construída sediavam um dos mais imponentes engenhos de cana-de-açúcar do País (o município chegou a abrigar nove deles). Vendido em 1899 à Societè Française des Sucrèries Brèsiliennes devido às dificuldades de manutenção das máquinas importadas, chegou a ter uma produção anual de 100 mil sacas de açúcar e três milhões de litros de álcool. Foi desativado em 1974 e hoje funciona como centro de eventos de culturais.

Embora o acesso a esses dois cartões-postais de Piracicaba possa ser feito de carro, também pode-se chegar até eles pela ponte pênsil da rua do Porto. A caminhada é imperdível. No meio da ponte, é possível desfrutar de uma memorável vista do rio. Com um pouco de sorte e muita atenção, pode-se observar tartarugas tomando sol nas pedras laterais do salto, além de biguás, martim-pescadores, socós e outros incríveis pássaros. Exaltado em versos e prosa (quem não conhece a letra de Tião Carreiro, Piraci e Lourival Santos da canção “Rio de Lágrimas” que o imortaliza?), o rio de Piracicaba exibe-se e segue orgulhoso seu curso sempre acompanhado por uma exótica paisagem verde.

Piracicaba, por sinal, é repleta de parques e de áreas verdes, uma das prováveis razões de a cidade apresentar excelente qualidade de vida e ar puro, mesmo reunindo tantos conglomerados industriais em seu solo. Mas o município, porém, não é só sinônimo de desenvolvimento econômico. Ele também preserva suas tradições. Suas festas típicas contam um pouco dos povos que o colonizaram. Só para citar algumas, em abril, junho e julho acontecem, respectivamente, a encenação teatral da Paixão de Cristo no Engenho Central, a grande fogueira da Festa de São João do distrito de Tupi e a devoção ao Divino Espírito Santo à margem do rio Piracicaba, três tradições religiosas herdadas dos europeus, sobretudo dos portugueses que por aqui vieram viver no período do pós-descobrimento do Brasil. 

Ainda em julho, é a vez da Festa da Polenta, com a alegria contagiante dos tiroleses (manja que te fa benne, como dizem os italianos). Em março, a Festa do Milho Verde, no Bairro do Tanquinho, resgata a herança gastronômica dos índios. Tem curau, milho cozido e muitas delícias feitas a partir dele, incluindo as “pamonhas, pamonhas, pamonhas de Piracicaba”, um jargão muito divulgado em alto falantes pelas ruas de todo o Brasil. É uma oportunidade e tanto para saborear a famosíssima iguaria da cidade. Bom apetite! 

Você sabia?

Piracicaba, em tupi-guarani, significa “lugar onde o peixe pára”. É uma referência às quedas do rio Piracicaba que bloqueiam o trânsito dos peixes na época da desova, quando nadam contra a correnteza.

Antigamente, a cana era trazida da roça por trens, além dos caminhões. No Engenho Central ainda encontram-se alguns trilhos e barracões de carga para trens que carregavam o açúcar e o álcool.

A cidade é famosa pelos seus quatro “pês”: Piracicaba, pamonha, pinga e peixe. As cachaças artesanais, aliás, são uma atração à parte da cidade. Se a ideia é conhecer o processo de produção da “branquinha”, a Cachaça Piracicabana é uma boa opção. A fábrica fica na estrada Piracicaba/São Pedro (SP 304 – km 173,5), tel. (19) 3425-6517, mas a bebida também é comercializada em lojas da cidade. Um último lembrete: chamar cachaça de pinga é ultrajante para quem aprecia ou comercializa a bebida. Por isso, cuidado.

SERVIÇO

O que não perder – O passeio de barco pelo rio Piracicaba, que saí da rua do Porto, em frente à rua 15 de novembro. Sábados, domingos e feriados, das 9 às 19 horas. Mais informações pelo tel. (19) 9747-4545, com Luís Carlos.

Onde comer – Remador – rua do Porto, 1.689, tel. (19) 3371-7374.

Onde ficar – Bristol Center Flat – rua José Pinto de Almeida, 877, tel. (19) 3403-6400.

~ por Fabíola Musarra em Fevereiro 26, 2010.

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